Berlim vs. Portugal

Descubra as diferenças que as imagens falam por si! Imagens enviadas por um dos nossos leitores que habita em Berlim.

O jornal Observador presta assim um mau serviço

Todos já sabem que os jornais diários, principalmente os online, considerando que são gratuitos e que por certo têm muitas despesas e que a publicidade oficial não deve ser assim tão proveitosa, têm de recorrer a publicidade "oficiosa", sendo a da indústria automóvel a mais patente e evidente, normalmente mascarada de notícia na secção "auto". Ou seja, é clarividente a publicidade que todos os jornais diários fazem à indústria automóvel, publicidade essa mascarada de facto noticioso, sendo também no nosso entender, uma manifesta violação da deontologia jornalística, pois ludibria o leitor. Mas até aqui, nada de novo! O que é novo neste caso, é que além da referida publicidade, agora também se promove a ilegalidade, mormente a violação do artigo 49.º do Código da Estrada, com referência ao estacionamento sobre o espaço pedonal ou destinado a peões. Foi o caso recente de uma "notícia" do jornal Observador (hiperligação), com direito a vídeo e tudo, onde se vê um "veículo citadino" a ser idolatrado pelo "jornalista", enquanto o referido veículo é filmado sob várias perspetivas, estando o referido veículo estacionado sobre o espaço pedonal; ou pelo menos sobre o espaço destinado a peões, considerando que a calçada à portuguesa é quase sempre usada apenas para espaço pedonal.

Prioridade ao Peão... à moda de Oeiras


Em Oeiras as leis que protegem os peões não são cumpridas, nem pelas próprias autoridades. Todos os dias, tal como hoje da manhã, às 09h45, o respeito pelos peões é este, exemplificado pelo veículo 01-RD-29 da própria União de Freguesias de Oeiras, frente à Junta de Freguesia, na Rua Marquês de Pombal, n.º 42.​

O regabofe na rua Viriato continua em Lisboa

O Dr. Medina já o alertou! Pois de acordo com o jornal O Corvo (hiperligação), o edil de Lisboa considera que "é impossível termos soluções adequadas, quando estamos confrontados com baixos níveis de civismo, [sendo que] a colocação de pilaretes junto a passadeiras é intencional e tem acontecido em várias zonas da cidade, infelizmente, devido à falta de civismo dos automobilistas". Pois bem, a Rua Viriato é um bom exemplo. A CML edificou pilaretes, mas ingenuamente deixou espaço junto a zonas pedonais, tendo mesmo no seu ingénuo altruísmo rebaixado as passadeiras para que idosos e pessoas em cadeiras de rodas pudessem subir melhor os passeios. Todavia, o automobilista mediano português é tão animalesco e incivilizado, ou quiçá padece de qualquer frustração por não ser proprietário de um todo-o-terreno e de uma casa de campo, que mais não faz que usar tal mecanismo, ou seja, tal rampa livre de pilaretes, para estacionar a sua sacrossanta lata-metálica-onerosa-poluidora-espaçosa-ruidosa-motorizada no espaço onde apenas o peão deveria poder circular. Mas ferro com ferro se paga, e a CML para evitar um mal maior, mas infelizmente para os invisuais e pessoas com mobilidade reduzida, tem vindo a colocar pilaretes nas zonas de acesso a passadeiras, para que a seguinte situação não se repita.

Ciclovia para a Av. Gago Coutinho

No seguimento de uma queixa que o Passeio Livre endereçou à autarquia de Lisboa há cerca de 7 meses (hiperligação), a mesma respondeu-nos a semana passada, nos seguintes termos, através da chefe da divisão Dra. Paula Martins:

Exmos. Senhores,

Na sequência do V. e-mail de 29-07-2016 em anexo, que mereceu a nossa melhor atenção, apesar da demora na resposta que lamentamos, cumpre-nos informar que a Câmara Municipal de Lisboa tem em curso um projeto de rede ciclável para a Avenida Almirante Gago Coutinho, no âmbito da promoção da mobilidade sustentável.

Trata-se da requalificação da referida avenida, que considera o reordenamento do estacionamento, a criação de uma ciclovia e de um passeio livre para a circulação pedonal, pelo que a situação relatada será ultrapassada após esta intervenção.

Sem outro assunto, apresentamos os melhores cumprimentos,

Paula Santos Martins
Chefe de Divisão

Esperemos então por conseguinte, que com a referida rede ciclável ao longo da referida avenida, a qualidade do espaço pedonal seja substancialmente melhorada.

"Liberta o tuga que há em ti"

Desta vez, deixamos aos leitores o desafio para tentarem descortinar onde foram tiradas estas fotos representativas do Portugal contemporâneo. Caros leitores, onde ficam as seguintes fotos?
















Modelo de email para denunciar estacionamentos abusivos

Recebido por mail:

---------- Mensagem encaminhada ----------

Venho partilhar convosco uma informação importante. Ultimamente tenho tirado fotografias a carros ilegalmente estacionados (em cima do passeio ou passadeira) e envio um email para o seguinte endereço e com o seguinte conteúdo. Isto é no município de Lisboa e a Polícia Municipal responde ao email (normalmente em um ou dois dias) dizendo que levanta o auto respectivo. Assim sendo, seria interessante partilhar com o site Passeio Livre, para que mais gente comece a tirar fotografias e a enviar para a Polícia Municipal, para que finalmente quem estaciona mal o carro passe a ser multado - porque já sabemos que os agentes que se encontram nas ruas, normalmente, não fazem caso dos carros mal estacionados. É importante que a fotografia fique bem feita e inclua a matrícula da viatura.

***

Assunto: Denúncia estacionamento abusivo

Excelentíssimos senhores:

Ao abrigo do número 5 do artigo 170º do Código da Estrada, venho por este meio fazer a seguinte denúncia de contra-ordenação para que a Polícia Municipal levante o auto respectivo e multe o responsável:

No dia xxx de xxx de 2017, às xxx horas, na Rua xxx, um pouco abaixo da porta do número xxx, a viatura com matrícula xxx-xxx-xxx (marca e modelo, se possível) encontrava-se estacionada em cima do passeio, em violação do artigo 49º.1 alínea f do Código da Estrada (opcional: e impedindo totalmente a circulação pelo passeio). Pode-se comprovar esta situação através das fotografias anexas ao presente email.

Os meus dados são os seguintes:
Nome: (nome completo do denunciante)
Morada: (morada completa do denunciante)
Cartao do Cidadão: (número do cartão do cidadão do denunciante)

Venho por este meio solicitar, nos termos do número 5 do artigo 170º do Código da Estrada, que procedam a autuar os responsáveis.

Obrigado e cumprimentos,
(Assinatura do denunciante)

Espero que [a situação] não se reproduza

A circular nas redes sociais

Av. 24 de Julho com passeio minúsculo junto à linha férrea

Um curioso caso de empreitada na cidade de Lisboa que, ou foi pensada por quem nunca foi ao terreno, ou foi fiscalizada ou executada por quem não tem olhos ou o mínimo de espírito critico, é a empreitada do Cais do Sodré ao Largo de Santos.

São cerca de mil metros, e nessa artéria (Av. 24 de Julho) existe um passeio junto da linha férrea, passeio esse com uma largura mínima de cerca de um metro e máxima superior a dois metros, sendo que na maioria da extensão tem cerca de um metro e meio. Existe contudo uma única exceção, um único ponto neste quilómetro de passeio tem bastante menos de um metro. Neste percurso existem apenas três passadeiras, tendo uma delas, por via das obras na Avenida, sido deslocada. Pois os executantes desta obra conseguiram instalar a passadeira no ponto mais estreito que existe em um quilometro e plantar um semáforo a impedir a passagem de, por exemplo, um carrinho de bebé ou cadeira de rodas.

Fotos ilustrativas da situação ridícula que gostaríamos de ver corrigida.

 

O estacionamento em Lisboa está em saldos há 40 anos

Enquanto em Lisboa a EMMEL continua a considerar que estacionamento na via pública é "direito constitucionalmente consagrado", oferendando aos munícipes com automóvel, 12 metros quadrados de espaço público pela simbólica quantia de 12 euros por ano, ou seja, 1 euro por metro quadrado-ano na capital de Portugal, na mesma capital onde um apartamento de 50 metros quadrados ultrapassa os cem mil euros; nas cidades onde os apartamentos são igualmente onerosos como é o caso de Amesterdão, o preço do espaço público e do estacionamento obedece, justamente, ao mesmo paradigma de preçários sem qualquer tipo de discriminações injustificadas.

Pois em Amesterdão uma avença anual para estacionar o automóvel no centro da cidade 24 horas por dia, custa 13281 euros. Escrevemos por extenso pois tememos que podeis não ter percebido bem: treze mil, duzentos e oitenta e um euros por ano, é o que custa uma avença anual de estacionamento em Amesterdão. Já a avença congénere em Lisboa nos parques da EMMEL, não chega aos 80€ por mês, cerca de 960€ por ano, cerca de 14 vezes menos que em Amesterdão. E não, não há paridade-poder-de-compra que alguma vez justifique estes números.

fontes:
-https://www.q-park.nl/nl/parkeren-bij-q-park/per-stad/amsterdam/de-bijenkorf
-http://www.veraveritas.eu/2015/04/retorno-sobre-investimento-dos-parques.html

No centro de Amesterdão, uma avença de estacionamento 24/h por dia, custa cerca de 13 mil euros por ano.
Em Lisboa, uma avença mensal no centro custa 80€, 960€ por ano.

Agir mais e sensibilizar menos

Decorrido tanto tempo e constata-se que esta foi mais uma nula campanha de "sensibilização" da PSP. Em vez disto, porque não se limitaram simplesmente a autuar os infratores?

Vandalismo de carros mal estacionados

Repudiamos o vandalismo dos automóveis ilegalmente estacionados e temo-lo vincamente dito neste blogue, mas como o estacionamento ilegal e a usurpação do espaço pedonal se tornou a normalidade e não a exceção, com o conluio assustador da sociedade civil e das autoridades policiais, muitas vezes ações mais radicais são tomadas. Apesar de as condenarmos, compreendemo-las parcialmente. Foi o caso de um caso que está a dar que falar na Rússia quando uma carrinha ilegalmente estacionada foi incendiada por vândalos. Na mensagem que deixaram pode ler-se: "aprende a estacionar, pu**"!

Outro caso que ficou famoso em Munique na Alemanha, muito mais interessante pois aparentemente não se danificava o automóvel, é o de carwalking. Carwalking, traduzido como andar sobre carros é uma ação de protesto que consiste em caminhar por cima de automóveis, por norma ilegalmente estacionados em zonas estritamente pedonais. Esta ação de protesto é entendida por todos os códigos penais como dano da propriedade privada, sendo assim ilegal. Quem o faz, usa-o por norma como forma de protesto radical contra as elevadas taxas de motorização em zonas urbanas, onde uma das principais consequências é o estacionamento ilegal nos passeios, nas calçadas e em áreas exclusivamente destinadas aos pedestres. Um carwalker que ficou famoso foi Michael Hartmann que na década de oitenta, usou bastante esta ação de protesto na cidade alemã de Munique.

Lisboa Menina e Moça VI

Caros leitores, onde fica este local na cidade de Lisboa?

Denota-se pela imagem de satélite que Lisboa está desenhada claramente a pensar nas pessoas e na qualidade pedonal. Foi feito processamento de imagem à imagem de satélite, e à zona de alcatrão foi-lhe acentuada uma tonalidade avermelhada, para acentuar o contraste entre as zonas pedonal e motorizada.
Para os outros capítulos desta rubrica, clicar AQUI.

Na Moita do Ribatejo, o peão é tratado como cão

A Moita é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Setúbal, região de Lisboa e sub-região da Península de Setúbal, com cerca de 17 600 habitantes e uma saciedade indomável por parte dos seus automobilistas para estuprarem criancinhas ao pequeno-almoço e o espaço pedonal ao almoço. É sede de um município com 55,26 km² de área, 66 029 habitantes (2011), e cerca de 9,13 milhões de automóveis, estando subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte, através de baixios do estuário do Tejo, pela área principal do município do Montijo, a nordeste também pelo Montijo, a sudeste e sul por Palmela, a oeste pelo Barreiro e a zénite pela sede do ACP.

Na Moita pode-se infringir o código de estrada à vontade porque pura e simplesmente não existe fiscalização nenhuma, o escasso policiamento que existe está-se a borrifar para quem anda a pé ou para quem tenha mobilidade reduzida, a câmara de vez em quando lá vai montando uns pilaretes à conta dos impostos dos contribuintes, e os ruminantes que colocam os seus carros em qualquer lado sem olhar a quem já se aperceberam que podem colocar os carros onde lhes apetece que não são multados por isso. Nestes últimos anos é vê-los cada vez em maior número espalhados por tudo o que é passeio, passadeira e até a vedar o acesso das pessoas às suas habitações, por incrível que pareça na maioria dos casos nem é por falta de lugares de estacionamento, é mesmo para ter o veículo encostado à porta de casa ou da tasca onde estão a mamar uns copos ao final da tarde. Isto tudo vai acontecendo sem que a GNR da Moita tenha qualquer intervenção no sentido de acabar com isto, os mais frágeis que se lixem.

As fotos foram tiradas em dias seguidos no trajecto que é utilizado por centenas de pessoas a pé entre a estação de comboios e o Bairro da Caixa.

Os moitanos autofílicos são assim, selváticos, apreciam a natureza e uma boa lide. Para estarem bem preparados para as lides contra bois, touros e animais de similar porte, é bom estar-se bem preparado todo o ano, caminhando no alcatrão, onde o perigo é eminente. É que de acordo com a ANSR, é mais perigoso à sociedade a lata de 4 rodas que os moitanos usam para parquear no espaço pedonal, que os touros que vagam pela cidade nos períodos da festa rija. Mas uma boa pega começa assim, na estrada defronte para a besta metálica. Vão treinando, que a Moita é local propício.