Av. 24 de Julho com passeio minúsculo junto à linha férrea

Um curioso caso de empreitada na cidade de Lisboa que, ou foi pensada por quem nunca foi ao terreno, ou foi fiscalizada ou executada por quem não tem olhos ou o mínimo de espírito critico, é a empreitada do Cais do Sodré ao Largo de Santos.

São cerca de mil metros, e nessa artéria (Av. 24 de Julho) existe um passeio junto da linha férrea, passeio esse com uma largura mínima de cerca de um metro e máxima superior a dois metros, sendo que na maioria da extensão tem cerca de um metro e meio. Existe contudo uma única exceção, um único ponto neste quilómetro de passeio tem bastante menos de um metro. Neste percurso existem apenas três passadeiras, tendo uma delas, por via das obras na Avenida, sido deslocada. Pois os executantes desta obra conseguiram instalar a passadeira no ponto mais estreito que existe em um quilometro e plantar um semáforo a impedir a passagem de, por exemplo, um carrinho de bebé ou cadeira de rodas.

Fotos ilustrativas da situação ridícula que gostaríamos de ver corrigida.

 

O estacionamento em Lisboa está em saldos há 40 anos

Enquanto em Lisboa a EMMEL continua a considerar que estacionamento na via pública é "direito constitucionalmente consagrado", oferendando aos munícipes com automóvel, 12 metros quadrados de espaço público pela simbólica quantia de 12 euros por ano, ou seja, 1 euro por metro quadrado-ano na capital de Portugal, na mesma capital onde um apartamento de 50 metros quadrados ultrapassa os cem mil euros; nas cidades onde os apartamentos são igualmente onerosos como é o caso de Amesterdão, o preço do espaço público e do estacionamento obedece, justamente, ao mesmo paradigma de preçários sem qualquer tipo de discriminações injustificadas.

Pois em Amesterdão uma avença anual para estacionar o automóvel no centro da cidade 24 horas por dia, custa 13281 euros. Escrevemos por extenso pois tememos que podeis não ter percebido bem: treze mil, duzentos e oitenta e um euros por ano, é o que custa uma avença anual de estacionamento em Amesterdão. Já a avença congénere em Lisboa nos parques da EMMEL, não chega aos 80€ por mês, cerca de 960€ por ano, cerca de 14 vezes menos que em Amesterdão. E não, não há paridade-poder-de-compra que alguma vez justifique estes números.

fontes:
-https://www.q-park.nl/nl/parkeren-bij-q-park/per-stad/amsterdam/de-bijenkorf
-http://www.veraveritas.eu/2015/04/retorno-sobre-investimento-dos-parques.html

No centro de Amesterdão, uma avença de estacionamento 24/h por dia, custa cerca de 13 mil euros por ano.
Em Lisboa, uma avença mensal no centro custa 80€, 960€ por ano.

Agir mais e sensibilizar menos

Decorrido tanto tempo e constata-se que esta foi mais uma nula campanha de "sensibilização" da PSP. Em vez disto, porque não se limitaram simplesmente a autuar os infratores?

Vandalismo de carros mal estacionados

Repudiamos o vandalismo dos automóveis ilegalmente estacionados e temo-lo vincamente dito neste blogue, mas como o estacionamento ilegal e a usurpação do espaço pedonal se tornou a normalidade e não a exceção, com o conluio assustador da sociedade civil e das autoridades policiais, muitas vezes ações mais radicais são tomadas. Apesar de as condenarmos, compreendemo-las parcialmente. Foi o caso de um caso que está a dar que falar na Rússia quando uma carrinha ilegalmente estacionada foi incendiada por vândalos. Na mensagem que deixaram pode ler-se: "aprende a estacionar, pu**"!

Outro caso que ficou famoso em Munique na Alemanha, muito mais interessante pois aparentemente não se danificava o automóvel, é o de carwalking. Carwalking, traduzido como andar sobre carros é uma ação de protesto que consiste em caminhar por cima de automóveis, por norma ilegalmente estacionados em zonas estritamente pedonais. Esta ação de protesto é entendida por todos os códigos penais como dano da propriedade privada, sendo assim ilegal. Quem o faz, usa-o por norma como forma de protesto radical contra as elevadas taxas de motorização em zonas urbanas, onde uma das principais consequências é o estacionamento ilegal nos passeios, nas calçadas e em áreas exclusivamente destinadas aos pedestres. Um carwalker que ficou famoso foi Michael Hartmann que na década de oitenta, usou bastante esta ação de protesto na cidade alemã de Munique.

Lisboa Menina e Moça VI

Caros leitores, onde fica este local na cidade de Lisboa?

Denota-se pela imagem de satélite que Lisboa está desenhada claramente a pensar nas pessoas e na qualidade pedonal. Foi feito processamento de imagem à imagem de satélite, e à zona de alcatrão foi-lhe acentuada uma tonalidade avermelhada, para acentuar o contraste entre as zonas pedonal e motorizada.
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Na Moita do Ribatejo, o peão é tratado como cão

A Moita é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Setúbal, região de Lisboa e sub-região da Península de Setúbal, com cerca de 17 600 habitantes e uma saciedade indomável por parte dos seus automobilistas para estuprarem criancinhas ao pequeno-almoço e o espaço pedonal ao almoço. É sede de um município com 55,26 km² de área, 66 029 habitantes (2011), e cerca de 9,13 milhões de automóveis, estando subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte, através de baixios do estuário do Tejo, pela área principal do município do Montijo, a nordeste também pelo Montijo, a sudeste e sul por Palmela, a oeste pelo Barreiro e a zénite pela sede do ACP.

Na Moita pode-se infringir o código de estrada à vontade porque pura e simplesmente não existe fiscalização nenhuma, o escasso policiamento que existe está-se a borrifar para quem anda a pé ou para quem tenha mobilidade reduzida, a câmara de vez em quando lá vai montando uns pilaretes à conta dos impostos dos contribuintes, e os ruminantes que colocam os seus carros em qualquer lado sem olhar a quem já se aperceberam que podem colocar os carros onde lhes apetece que não são multados por isso. Nestes últimos anos é vê-los cada vez em maior número espalhados por tudo o que é passeio, passadeira e até a vedar o acesso das pessoas às suas habitações, por incrível que pareça na maioria dos casos nem é por falta de lugares de estacionamento, é mesmo para ter o veículo encostado à porta de casa ou da tasca onde estão a mamar uns copos ao final da tarde. Isto tudo vai acontecendo sem que a GNR da Moita tenha qualquer intervenção no sentido de acabar com isto, os mais frágeis que se lixem.

As fotos foram tiradas em dias seguidos no trajecto que é utilizado por centenas de pessoas a pé entre a estação de comboios e o Bairro da Caixa.

Os moitanos autofílicos são assim, selváticos, apreciam a natureza e uma boa lide. Para estarem bem preparados para as lides contra bois, touros e animais de similar porte, é bom estar-se bem preparado todo o ano, caminhando no alcatrão, onde o perigo é eminente. É que de acordo com a ANSR, é mais perigoso à sociedade a lata de 4 rodas que os moitanos usam para parquear no espaço pedonal, que os touros que vagam pela cidade nos períodos da festa rija. Mas uma boa pega começa assim, na estrada defronte para a besta metálica. Vão treinando, que a Moita é local propício.