Delft, uma cidade pensada para as pessoas

A cidade de Delft é das mais antigas da Holanda, tendo sido o local da residência oficial do primeiro regente da Holanda, o Príncipe Guilherme de Orange. Fica localizada na província da Holanda do Sul, a 9 km da Haia e 18 km de Roterdão. É um dos centros mais antigos do país, tendo já sido mencionada em 1062. Delft foi palco, em 1584, do assassinato do governador Guilherme I o Taciturno, por um fanático católico. O belo mausoléu de Taciturno encontra-se na Igreja Nova, a qual é várias vezes fotografada nesta reportagem, hoje transformada em templo protestante, onde se ergueu também o túmulo de Hugo Grócio, e os túmulos dos monarcas holandeses. Hugo Grócio foi um jurista ao serviço da República dos Países Baixos, sendo considerado o fundador, junto com Francisco de Vitória e Alberico Gentili, do Direito internacional, baseando-se no Direito natural. Foi também filósofo, dramaturgo, poeta e um grande nome da apologética cristã.

Delft é também a cidade natal do pintor Jan Vermeer, cuja obra mais conhecida é a "menina do brinco de pérola". A cidade também ficou famosa devido às suas fábricas de faiança, que datam de meados do século XVII. O apogeu dessa indústria, que se inspirou, inicialmente, em modelos chineses, situa-se entre 1680 e 1740, tendo sido Abraham de Coog seu mestre principal. Toda a cerâmica europeia sofreu influências da de Delft. Delft hospeda ainda uma das universidades técnicas mais renomeadas da Europa, a Universidade Técnica de Delft.

Embora a Holanda, de facto seja na maioria da sua superfície plana, o urbanismo de Delft, na medida que as ruas são estreitas e os edificado é antigo, não é muito diferente neste aspeto, do de Lisboa ou do Porto, excluindo obviamente a topografia. Todavia toda a zona do centro da cidade, é interdita ao trânsito automóvel, não havendo exceções para residentes. E não se trata apenas de uma praça ou de algumas ruas, mas toda uma série de quarteirões na zona central da cidade onde os carros estão proibidos de entrar. Há parques apenas na periferia, e em toda a zona do centro as pessoas deslocam-se essencialmente a pé, e de bicicleta. A atividade comercial fervilha, mesmo a dos grandes grupos económicos, mas também a dos pequenos comerciantes. As pessoas usam as praças e as ruas, para passear, conviver, fazer compras, ir ao café ou à padaria, e até se sentam no meio das praças a conviver. Veem-se imensos idosos na rua, crianças, carrinhos de bebés, pais e avós a passear os filhos e netos, e muitos animais domésticos que vagueiam livremente. O espaço público é das pessoas. E como conseguiu isto a autarquia de Delft? Para responder a esta pergunta, lançamos um desafio: tente procurar nas dezenas de fotografias abaixo, um único automóvel.

Fotos de João Pimentel Ferreira

A publicidade automóvel continua mascarada de "notícia"

Caro leitor, citamos ipsis verbis mais uma notícia (hiperligação) de um jornal diário. Isto, de acordo com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, e a própria edição do jornal, não é publicidade:
"Familiar e aventureira, eis a variante “todos os caminhos” da carrinha Insignia. A estreia oficial da Insignia Country Tourer está marcada para o Salão de Frankfurt, chegando ao mercado logo a seguir.

Desde que foi anunciada uma nova geração do modelo de topo da Opel que se sabia que a gama não iria dispensar uma variante ainda mais polivalente, na forma de uma carrinha com aptidões para circular por outros pisos que não o alcatrão. Agora, a Opel decidiu revelar a nova Insignia Country Tourer, fazendo ainda saber que a sua comercialização iniciar-se-á em Setembro, imediatamente após a estreia oficial em público no Salão de Frankfurt.

Atributos do modelo são, desde logo, todos os já conhecidos da Insignia Sports Tourer convencional, em domínios como a tecnologia, a segurança, a conectividade, o espaço interior ou a capacidade da mala. A que se junta aquela aparência mais aventureira típica deste género de proposta, assegurada pelas várias protecções da carroçaria (pára-choques, guarda-lamas, embaladeiras) e pelas jantes de desenho específico".

Mais uma vez reiteramos: nada temos contra a publicidade, particularmente a automóvel; mas de acordo com as mais elementares regras de deontologia jornalística e as próprias regras da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, a publicidade, a qualquer produto, deve estar assinalada como tal.

Estacionamento abusivo em Miraflores

Recebido por mail:
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Muito boa tarde,

Dirijo-vos este e-mail na esperança de que algo possa efetivamente ser feito em relação ao que se passa nas traseiras do prédio onde resido ( Av. das Tulipas, nº 21 em Miraflores, Algés). Trata-se de uma área privada de uso público que é diariamente invadida por automóveis. Segue em anexo uma fotografia que ilustra bem o que se passa - se quiserem tenho dezenas delas tiradas em dias diferentes, mas acho que uma é suficiente para o efeito.

É um espaço onde por vezes brincam crianças, mas que não o podem fazer livremente nem em segurança, pois podem estragar os automóveis com as bolas, ou podem ser atropeladas pelos automóveis que entram e saem do local.

É um local que invariavelmente está sujo com as marcas dos pneus. É um local cuja manutenção é da responsabilidade do condomínio, mas que se degrada cada vez mais com a circulação destas viaturas.

A PSP já por várias vezes veio ao local, mas sempre que assisti, apenas advertem as pessoas que encontram, as mesmas retiram as viaturas durante alguns instantes, e assim que os agentes se vão embora, voltam a estacionar aqui as suas viaturas. Sem a devida multa, o desrespeito pela autoridade prevalece.

É desesperante, já tentei por várias vezes pedir às pessoas para não o fazerem, e por vezes sou até tratado com má educação ou simplesmente ignorado. O estacionamento é tarifado nesta zona, mas este local parece estar fora da ação dos fiscais da Parques Tejo, tornando-se num local desejado para quem não quer pagar a devida taxa social de estacionamento.

Em Miraflores o estacionamento abusivo já foi um problema muito maior, que melhorou consideravelmente com a intervenção da Parques Tejo. Infelizmente este continua a ser um dos poucos locais onde o problema persiste (mas não é o único, sendo a situação em frente à Clínica Quadrantes a mais escandalosa, ainda para mais tendo em conta que está a menos de 100m da esquadra da PSP).

Termino assim pedindo a todas as entidades aqui contactadas, que dentro das vossas competências possam ajudar a resolver esta questão.
*Leitor identificado*