EMEL em ação
Que pena a EMEL não ser tão assertiva na defesa do peão - quando os automóveis ocupam e usurpam ilegalmente os passeios já escassos e esguios - como em algumas outras situações...
Mais 1500 autocolantes enviados para todo o país
O Passeio Livre enviou mais 1500 autocolantes para todo o país, para que os nossos contribuintes possam sensibilizar os automobilistas para a questão da usurpação dos passeios. As nossas cidades têm passeios estreitos e esguios, muitas vezes ocupados ilegalmente pelos enlatados citadinos. É nesses casos que deverá colocar o autocolante, sempre no vidro lateral do condutor.
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| Molhos de 40 autocolantes a ser enviados |
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| Envelopes já fechados, para serem enviados para todo o país |
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| Carro ilegalmente estacionado. Passeio estreito totalmente ocupado pelo veículo |
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| Autocolante deve ser colocado no vidro lateral do condutor |
Muito obrigado a todos pela participação ativa e pelas e contribuições.
Façamos das nossas cidades, um local mais aprazível para se viver!
O triplo "P" lixo da política pública de mobilidade
Telheiras, o "Bairro dos Doutores"
| Sinal de Trânsito Proibido |
Um dos nossos caros contribuintes, envia-nos mais umas fotos fresquinhas do bairro de Telheiras em Lisboa, também conhecido como o "Bairro dos Doutores" devido à elevada taxa de moradores com grau académico superior. Ao que parece este "vício comodista" de ocupar passeios e prejudicar a vida aos outros com o enlatado é endémico em Portugal e ao que parece, afeta todas as classes sociais e com diversos níveis de grau académico. Numa rua onde está bem explícito através de uma sinalética bem visível que é proíbido estacionar, toda a gente ocupa passeios e o espaço do peão.
O nosso contribuinte desbafa connosco ao enviar-nos "mais uma modesta contribuição de um automobilista que cada vez utiliza menos o automóvel". Refere ainda que se admira "como é que se obtêm as cartas de condução ou se as pessoas não têm um mínimo de conhecimento do código da estrada e da sinalização correspondente." Questiona-se finalmente sobre "o que estará errado, o código da estrada, os automobilistas abusadores ou, ainda, a atuação da polícia? É que isto passa-se mesmo muito perto de uma esquadra de polícia, e a polícia municipal não atua?"
É o país que temos. O carro é o Senhor, abençoado carrinho do tuga para as suas frívolas viagens ao Colombo. O peão em Lisboa, é como no Xadrez, é a peça menos importante no tabuleiro do planeamento urbanístico e de mobilidade.
De que serve um sinal de "proibido estacionar" em Lisboa?
| Rua da Mãe d'Água |
| Rua da Mãe d'Água |
A nossa contribuinte na missiva acrescenta ainda "que o local está devidamente asinalado com o de estacionamento proibido mas sem qualquer efeito"
Viva Portugal!!!
Largo Dr. Bernardino António Gomes, Lisboa
Um dos nossos contribuintes envia-nos mais esta magnífica foto do Largo Dr. Bernardino António Gomes na Freguesia de Santa Engrácia em Lisboa.
Como esta malta respeita o peão!!!
Exemplar!
Lisboa - Alameda D. Afonso Henriques
28 de Março de 2012 - 11h12m
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Funcionários da Câmara Municipal de Lisboa mostram como é estimada a calçada portuguesa por quem devia estar na 1ª linha da sua defesa... Que formação tem esta gente?!E esta, hein?
Passeios na Rua da Lapa torneja Rua de S. Domingos
| Rua da Lapa - passeio |
| Rua da Lapa - passeio |
| Rua de S. Domingos - obra |
| Rua da S. Domingos - passeio em frente à obra |
Um dos nossos contribuintes chama-nos "a atenção para esta obra a decorrer num imóvel sito na Rua da Lapa torneja Rua de S. Domingos onde não parece estar garantida a segurança e mobilidade normal dos peões, apesar da sinalética instalada pelo dono da obra. As imagens em anexo dispensam mais comentários"
Viva Portugal!!
Um constrói, o outro Ocupa
O nosso contribuinte refere que "as imagens são bem emblemáticas: a reconstrução/reparação do passeio ainda não está concluída mas já vemos carros estacionados em cima do passeio! Numa ponta estava o operário a reparar o passeio, e na outra ponta um carro em cima do passeio acabado de ser reparado!"
O nosso contribuinte questiona mesmo sobre a legalidade do dito passeio: "lamentamos o facto do passeio estar a ser reconstruído com as dimensões ilegais que tinha. Em vez de reperfilar o arruamento com um dos passeios já com o mínimo que é de lei, 1.20m de largura. Porque se perdeu esta oportunidade?"
Como já corrente em Lisboa, o nosso contribuinte refere em tom de desabafo que "apesar da existência de um acesso controlado a esta zona de Santa Catarina, o estacionamento selvagem continua a ocorrer em muitos locais prejudicando diariamente a mobilidade dos peões."
É este a cidade que temos? Uma cidade para os carros e não para as pessoas!!!
Av. Casal Ribeiro em Lisboa
O nosso leitor refere na missiva à EMEL que "ao fundo da Av. Casal Ribeiro o passeio foi ocupado com o tapume de uma obra. Foi colocada sinalização vertical e horizontal para indicar o desvio dos peões. Acontece que, em seguindo esse desvio, são os peões conduzidos à faixa central onde não podem caminhar por estar ocupada por automóveis estacionados nos lugares devidos e por vós cobrados. Assim sendo, sugiro que anulem esses lugares, permitindo o trânsito a peões ou, em alternativa, que seja colocado um corredor de segurança, balizado, onde os peões possam caminhar."
Odivelas, terra de oportunidades
Um dos nossos contribuintes e leitores, munícipe no Concelho de Odivelas e que nos enviou as fotos em apreço relembra-nos que "esta é a máxima do concelho: Odivelas, terra de oportunidades."
Será oportunidade para peões, ou só para automobilistas? Fica a questão à autarquia!
Largo Rodrigues de Freitas em Lisboa
Um dos nossos contribuintes envia-nos mais estas duas magnas fotos do Largo Rodrigues de Freitas em Lisboa. O nosso leitor, refere-nos mesmo em tom exclamativo: "que diz o homem das cavernas: não tenho outro sítio para estacionar!"
Cascais, centro histórico, zona pedonal
Avenida 24 de Julho?
| Av. 24 de Julho, micro passeios |
| Av. 24 de Julho, onde os carros são imperadores |
Um dos nossos leitores e contribuintes questiona-se sobre o estado lastimável em que se encontra a Av. 24 de Julho em Lisboa.
Refere-nos mesmo que a avenida em apreço "no séc. XIX foi de facto pensada como grande boulevard arborizado à beira rio para passeio dos lisboetas. Foi por aqui também que passou a primeira linha de eléctricos da capital. Mas como chegou aos nossos dias? Reduzida a uma espécie de IP dentro da cidade. É apenas um arruamento em que os automóveis são imperadores. Já repararam nos micro passeios? Todos concordam, esta avenida tem excesso de faixas de rodagem. Quando uma cidade, capital, deixa as suas avenidas serem transformadas nisto, é porque o estilo de vida dominante está esgotado, podre, obsoleto. A Avenida 24 de Julho está doente. E enquanto Lisboa mostrar arruamentos com estes agudos sintomas, Lisboa está doente."
Lisboa Praça do Chile | Um parque vazio e um passeio ocupado
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| Zona no mapa - Praça do Chile, Lisboa |
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| Parque completamente livre mesmo em frente |
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| Passeio ocupado, desrespeitando as pessoas |
Um dos nossos contribuintes, revela-nos mais um caso gritante em Lisboa, o caso da Praça do Chile. Envia-nos fotos em como se contrasta uma foto de um parque de estacionamento vazio, com carros em cima do passeio, mesmo ao lado do dito parque de estacionamento.
O nosso contribuinte refere mesmo que deu "conhecimento à Policia Municipal, mas não crê que valha a pena, atendendo ao ao que vemos um pouco por toda a cidade. Parece que os responsáveis se demitiram das suas funções. E que a crise não sirva de desculpa, a Policia e a CML podiam fazer o seu trabalho sem por isso gastarem mais dinheiro - aposto que em multas, ao menos no inicio, até iriam ter um balanço positivo"
Estacionamento selvagem | um contribuinte indignado
Um dos nossos contribuintes, revela-nos que é constante o estacionamento ilegal de automóveis em frente à sua porta, dificultando a saída de pessoas do prédio e impossibilitando mesmo a saíde no caso de uma eventual emergência. O nosso contribuinte refere mesmo que "é frequente, diário mesmo, o estacionamento das latas com 4 rodas em cima dos passeios, em frente às portas dos prédios, nas paragens da Carris e passadeira. Nada a que já não estejamos habituados quando se vive numa selva co-habitada por humanóides e macacóides"
O contribuinte em apreço envia-nos "duas imagens com uma lata que estacionou em cima do passeio e em frente à porta do meu prédio, bloqueando uma eventual saída de emergência - seja ela de que tipo for - e demonstrando assim o extremo grau de "civismo" do infractor, sendo que a imagem já não registou a outra lata que estava estacionada e quase colada à frente desta por já ter saído. Numa emergência hospitalar, como poderia sair uma maca deste prédio? Por cima das latas?"
O nosso contribuinte refere que deixou uma mensagem no para-brisas do infrator:
"Bom dia. Gostaria de saber se quer a chave da porta do prédio para colocar o carro. Muito obrigado."
O nosso caro contribuinte, que nos enviou as fotos refere mesmo que "no fundo, é caricato, triste mesmo, que existam pessoam que possuem um cérebro e que não tenham a capacidade suficiente de discernimento para pensarem antes de tomarem este tipo de atitudes que apenas prejudicam terceiros, já que na presente situação e um pouco mais abaixo existia muito espaço para estacionar"
Lisboa versus Istanbul: estacionamento em cima dos passeios
| Rua do Mirante, Lisboa |
| Istambul, Turquia |
Um dos nossos contribuintes, faz uma comparação algo interessante entre o nível de civismo dos habitantes de Lisboa e Istambul na Turquia. O nosso leitor pergunta-nos se existe "alguma diferença entre uma cidade que está na UE desde 1986 e outra cidade na outra ponta da Europa que não faz parte da UE?"
E assim vão as escolas de condução
Um dos nossos caros contribuintes, envia-nos esta foto em como se atesta que a falta de respeito pelo peão, parte logo desde as academias de condução. A escola de condução em apreço, usa do passeio, para fazer larga publcidade fazendo uso de um veículo pesado.
Ciclovia de Belém
Nas noites de 5ª, 6ª e sábado, é "normal" não se poder circular nesta ciclovia, em troços entre o Cais do Sodré e a Rocha Conde de Óbidos, bem como entre a doca de Sto Amaro e a Central Tejo.
Esta fotografia foi tirada no dia 27/01/12, ao fim do dia e longe de locais de diversão nocturna. E, os prevaricadores não são os habituais bêbedos ao volante. Este carro estava estacionado ao lado da rosa dos ventos, à frente do padrão dos descobrimentos, e pertence à Administração do Porto de Lisboa.
Com a agravante de este ser um dos locais de Lisboa com mais visitantes estrangeiros a quem, mais uma vez, damos o "prazer" de apreciarem os monumentos nacionais com carros à mistura.
Será que, à semelhança de alguns agentes das forças de segurança, também são a autoridade e, por isso, não têm de dar o exemplo?
Esta fotografia foi tirada no dia 27/01/12, ao fim do dia e longe de locais de diversão nocturna. E, os prevaricadores não são os habituais bêbedos ao volante. Este carro estava estacionado ao lado da rosa dos ventos, à frente do padrão dos descobrimentos, e pertence à Administração do Porto de Lisboa.
Com a agravante de este ser um dos locais de Lisboa com mais visitantes estrangeiros a quem, mais uma vez, damos o "prazer" de apreciarem os monumentos nacionais com carros à mistura.
Será que, à semelhança de alguns agentes das forças de segurança, também são a autoridade e, por isso, não têm de dar o exemplo?
No Reino do Caos e do Absurdo

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Depois de se servir da passadeira rebaixada como acesso, o condutor deve ter hesitado: «Estaciono na ciclovia, ou no passeio?». Acabou por usar um pouco de ambos...As fotos foram tiradas num sábado, mas no dia seguinte o carro ainda lá estava. E isso, apesar de, nesses dias e nessa zona, o estacionamento ser gratuito e não escassear.
"EX"... de "Exemplar"
Lisboa, Rua Marquesa de Alorna
14 de Fevereiro de 2012 - 10h11m
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14 de Fevereiro de 2012 - 10h11m
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Nesta rua e nas suas paralelas (e ao contrário do que sucede em muitas outras da mesma zona - como a Violante do Céu, para só citar a mais escandalosa), a EMEL costuma actuar com eficiência, limpando-as do estacionamento selvagem. Dispensava-se, pois, que um grupinho de agentes da PSP desse este triste EXemplo, com o único carro que - nesse dia, a essa hora e nessa rua - se podia ver a fazer esta tristíssima figura.
Sensibilizar cidadãos e governo para o impacto da qualidade do território na qualidade de vida, desenvolvendo acções para melhorar o actual estado de caos
Olá a todos
Resolvi aproveitar a oportunidade dada pelo governo e utilizar a plataforma "O Meu Movimento" para criar um movimento sobre ordenamento do território, urbanismo e arquitectura. Uma vez que me parece que muita gente aqui do blog terá também interesse por estes temas, resolvi dar-vos a conhecer o movimento, que está acessível neste link:
http://www.portugal.gov.pt/pt/ o-meu-movimento/ver- movimentos.aspx?m=1084
Caso estejam de acordo, apoiem o movimento usando o botão respectivo, e se acharem adequado divulguem no blog!
Abraços a todos!
Sensibilizar cidadãos e governo para o impacto da qualidade do território na qualidade de vida, desenvolvendo acções para melhorar o actual estado de caos.
O Ordenamento do Território (a definição de quais actividades devem ser localizadas em cada área do território), bem como o Urbanismo (a forma como os espaços urbanos são pensados e desenhados) e a Arquitectura (o desenho dos edifícios em si) são três factores determinantes para a qualidade de vida da população, e têm grandes implicações no desempenho económico do país: áreas urbanas mal desenhadas exigem muito mais recursos para serem adequadamente servidas por estradas e redes (de transportes, energia, saneamento, telecomunicações, etc.) e com equipamentos colectivos (escolas, hospitais, polícia, teatros, cinemas, campos desportivos, jardins, etc); são ainda mais difíceis de limpar e de policiar; e por outro lado geram mais custos, ao obrigarem a percorrer maiores distâncias – roubando aos cidadãos tempo que poderiam usar para si ou para os seus, e fazendo-os gerar mais poluição e acidentes com essas deslocações desnecessárias. São também estes três factores que definem a agradabilidade do espaço urbano e a forma como as pessoas se relacionam com esse espaço – e quanto melhor for essa relação, maior será o incentivo à preservação dum espaço que é de todos. Durante várias décadas estes aspectos foram descurados por todos, permitindo-se situações incríveis e praticamente irreversíveis, que destruíram por completo diversas áreas urbanas e rurais (exs.: o crescimento desordenado dos subúrbios de Lisboa e do Porto; a decadência de muitos centros urbanos consolidados; a destruição da beleza da costa Algarvia com urbanizações turísticas caóticas e desqualificadas, etc). Isto aconteceu tanto por incúria das entidades responsáveis como por falta de acção dos cidadãos, que por desconhecimento não souberam exigir os devidos padrões de qualidade que um país com a beleza natural e patrimonial de Portugal merecia. Como resultado, temos hoje um país com vastas áreas residenciais descaracterizadas, feias, disfuncionais, marginalizadas, deprimidas e sem qualidade ambiental, sem espaços verdes de qualidade, e por outro lado com núcleos históricos valiosíssimos mas degradados e decadentes. Tudo isto ligado por más redes de transportes e intercalado por territórios desqualificados sem carácter urbano nem rural, mas que oferecem o pior destes dois mundos. Por falta de informação e desconhecimento de outra realidade que não esta, os cidadãos nem percebem que os locais onde vivem (e por inerência também a sua qualidade de vida) podiam ser muito melhores do que o que são, e como tal não exigem mais do que aquilo que têm, nem colaboram activamente nessa melhoria. E assim a situação vai-se eternizando numa espiral que, se não for combatida, levará a que Portugal se torne num país com um “desordenamento” indigno dos seus desígnios, do seu potencial e da sua história. Assim, so propósitos deste movimento são (1) sensibilizar a população para o que são a qualidade do Ordenamento do Território, do Urbanismo e da Arquitectura, e as implicações destes na sua vida diária: nas suas deslocações e no acesso a locais importantes, na qualidade do ambiente em que vivem e na beleza da paisagem que vêem todos os dias, na quantidade das oportunidades de lazer de que usufruem, na eficiência das infraestruturas que as servem, etc.; (2) levar à alteração das leis e à maior eficiência do seu cumprimento, por forma a corrigir e a melhorar a qualidade do território que hoje o país apresenta; e (3) mostrar aos cidadãos que é necessário um trabalho conjunto com as entidades públicas para levar a cabo estas melhorias, dando-lhes a conhecer os seus direitos (exigir qualidade, fiscalizar acções) e os seus deveres (cuidar e zelar pelo bem público, ter pro-actividade na busca e na aplicação de soluções, obedecer às regras em vigor). Se também sente que o território português está muito aquém do que podia e devia estar, e se acredita que os cidadãos podem iniciar a mudança para o melhorar, junte-se a este movimento. Vamos fazer de Portugal um país melhor!
Resolvi aproveitar a oportunidade dada pelo governo e utilizar a plataforma "O Meu Movimento" para criar um movimento sobre ordenamento do território, urbanismo e arquitectura. Uma vez que me parece que muita gente aqui do blog terá também interesse por estes temas, resolvi dar-vos a conhecer o movimento, que está acessível neste link:
http://www.portugal.gov.pt/pt/
Caso estejam de acordo, apoiem o movimento usando o botão respectivo, e se acharem adequado divulguem no blog!
Abraços a todos!
Sensibilizar cidadãos e governo para o impacto da qualidade do território na qualidade de vida, desenvolvendo acções para melhorar o actual estado de caos.
O Ordenamento do Território (a definição de quais actividades devem ser localizadas em cada área do território), bem como o Urbanismo (a forma como os espaços urbanos são pensados e desenhados) e a Arquitectura (o desenho dos edifícios em si) são três factores determinantes para a qualidade de vida da população, e têm grandes implicações no desempenho económico do país: áreas urbanas mal desenhadas exigem muito mais recursos para serem adequadamente servidas por estradas e redes (de transportes, energia, saneamento, telecomunicações, etc.) e com equipamentos colectivos (escolas, hospitais, polícia, teatros, cinemas, campos desportivos, jardins, etc); são ainda mais difíceis de limpar e de policiar; e por outro lado geram mais custos, ao obrigarem a percorrer maiores distâncias – roubando aos cidadãos tempo que poderiam usar para si ou para os seus, e fazendo-os gerar mais poluição e acidentes com essas deslocações desnecessárias. São também estes três factores que definem a agradabilidade do espaço urbano e a forma como as pessoas se relacionam com esse espaço – e quanto melhor for essa relação, maior será o incentivo à preservação dum espaço que é de todos. Durante várias décadas estes aspectos foram descurados por todos, permitindo-se situações incríveis e praticamente irreversíveis, que destruíram por completo diversas áreas urbanas e rurais (exs.: o crescimento desordenado dos subúrbios de Lisboa e do Porto; a decadência de muitos centros urbanos consolidados; a destruição da beleza da costa Algarvia com urbanizações turísticas caóticas e desqualificadas, etc). Isto aconteceu tanto por incúria das entidades responsáveis como por falta de acção dos cidadãos, que por desconhecimento não souberam exigir os devidos padrões de qualidade que um país com a beleza natural e patrimonial de Portugal merecia. Como resultado, temos hoje um país com vastas áreas residenciais descaracterizadas, feias, disfuncionais, marginalizadas, deprimidas e sem qualidade ambiental, sem espaços verdes de qualidade, e por outro lado com núcleos históricos valiosíssimos mas degradados e decadentes. Tudo isto ligado por más redes de transportes e intercalado por territórios desqualificados sem carácter urbano nem rural, mas que oferecem o pior destes dois mundos. Por falta de informação e desconhecimento de outra realidade que não esta, os cidadãos nem percebem que os locais onde vivem (e por inerência também a sua qualidade de vida) podiam ser muito melhores do que o que são, e como tal não exigem mais do que aquilo que têm, nem colaboram activamente nessa melhoria. E assim a situação vai-se eternizando numa espiral que, se não for combatida, levará a que Portugal se torne num país com um “desordenamento” indigno dos seus desígnios, do seu potencial e da sua história. Assim, so propósitos deste movimento são (1) sensibilizar a população para o que são a qualidade do Ordenamento do Território, do Urbanismo e da Arquitectura, e as implicações destes na sua vida diária: nas suas deslocações e no acesso a locais importantes, na qualidade do ambiente em que vivem e na beleza da paisagem que vêem todos os dias, na quantidade das oportunidades de lazer de que usufruem, na eficiência das infraestruturas que as servem, etc.; (2) levar à alteração das leis e à maior eficiência do seu cumprimento, por forma a corrigir e a melhorar a qualidade do território que hoje o país apresenta; e (3) mostrar aos cidadãos que é necessário um trabalho conjunto com as entidades públicas para levar a cabo estas melhorias, dando-lhes a conhecer os seus direitos (exigir qualidade, fiscalizar acções) e os seus deveres (cuidar e zelar pelo bem público, ter pro-actividade na busca e na aplicação de soluções, obedecer às regras em vigor). Se também sente que o território português está muito aquém do que podia e devia estar, e se acredita que os cidadãos podem iniciar a mudança para o melhorar, junte-se a este movimento. Vamos fazer de Portugal um país melhor!---
Aqui ficam umas instruções rápidas sobre como apoiar o meu movimento:
1) Vão a esta pagina e registem-se, seguindo as instruções:
http://www.portugal.gov.pt/pt/ perfil.aspx
2) Depois de estarem registados façam login, e depois acedam ao meu movimento através do link:
http://www.portugal.gov.pt/pt/ o-meu-movimento/ver- movimentos.aspx?m=1084
3) Depois disto, é só clicarem no botão "Apoiar" que aparece no final da pagina, do lado direito!
Envio-vos em anexo algumas imagens que são uma pequena amostra do motivo pelo qual acho que isto é um assunto muito importante para o nosso país...
Apoiem e divulguem até ao dia 29/Fev!
1) Vão a esta pagina e registem-se, seguindo as instruções:
http://www.portugal.gov.pt/pt/
2) Depois de estarem registados façam login, e depois acedam ao meu movimento através do link:
http://www.portugal.gov.pt/pt/
3) Depois disto, é só clicarem no botão "Apoiar" que aparece no final da pagina, do lado direito!
Envio-vos em anexo algumas imagens que são uma pequena amostra do motivo pelo qual acho que isto é um assunto muito importante para o nosso país...
Apoiem e divulguem até ao dia 29/Fev!
Esta cidade não é para peões
Esta cidade não é para peões
Por José Vitor Malheiros, Público, 21 Fevereiro 2012
Gosto de andar a pé. Pequenas passeatas ou grandes caminhadas, na cidade ou no campo, trajectos de todos os dias ou deambulações de fim-de-semana. O meu andar a pé não é trekking nem hiking. É só andar a pé. Às vezes mais depressa, às vezes lentamente, às vezes parado. O meu andar a pé também não é de maratonas. Posso fazer cinco ou oito ou dez quilómetros por dia (ao fim-de-semana). Raramente mais. Gosto de fazer a pé os trajectos que faço em transportes públicos. Saber a que se parece a superfície por baixo da qual anda o metro. Como são as lojas desta avenida onde o autocarro salta de paragem em paragem. Qual é a distância, em passos, que vai desta estação de metro àquele jardim.Do jardim ao café. Saber se há alguma drogaria naquele bairro. Se a retrosaria ainda existe. Durante a semana os meus passeios raramente saem de Lisboa, o que não querdizer que sejam todos urbanos. Ou sequer suburbanos. São frequentemente todo-o-terreno, um percurso de combatente, quase um parcours de parkour. E onde menos se espera. Não é preciso andar à superfície da linha vermelha do metro (que vai para a Estação Oriente, no Parque das Nações) para entrarmos num cenário pós-apocalíptico.
Estão a ver Entrecampos? Na fronteira entre a Avenida da República e o Campo Grande? Uma zona nobre e central da cidade. Há uma avenida que sai directa de Entrecampos em direcção a Sete Rios, onde está o Jardim Zoológico. Pouco mais de dois quilómetros, sempre em frente, entre dois jardins. O caminho? Praticamente intransitável. Intransitável para peões, entenda-se. É uma terra-de-ninguém, que exige atravessar corta a cidade em vias rápidas sem passadeiras, caminhar ao longo duas zonas quase de passeios inexistentes, aguentar os carros que passam a cem à hora a um metro de distância. Se digo a algum lisboeta que fiz esse trajecto a pé vias rápidas e temos dizem-me "Ah, mas isso não é para andar a pé..." "Por que não?" "Porque não foi feito para isso", dizem-me. "Por que não?" "Porque foi feito para carros." É verdade. Toda a cidade foi feita para carros. Com raras excepções, a cidade que fizemos nos últimos cinquenta anos foi feita para carros. Às vezes, há uma pequena mancha pensada para pessoas. Mas para lá chegar é preciso ir de carro. Ou, no melhor dos casos, de metro. A pé? Não, não foi pensado para isso.
Tente ir a pé da Avenida do Rio de Janeiro a Benfica. Dois bairros residenciais. Aqui já estamos no nível dos sete quilómetros. O caminho mais directo passa pela Avenida Lusíada, mas não se deixem enganar por este "Avenida". É preciso atravessar uma terra-de-ninguém, atravessar vias rápidas sem passadeiras, saltar uns separadores, conviver com o lixo e a desolação. Sempre sem sair do "tecido urbano". Mas não se pense que se trata de um via reservada a automóveis, como a Segunda Circular ou algo semelhante. Estamos na cidade. Há prédios pelo caminho, sítios onde vivem e trabalham pessoas mas onde toda a gente chega de carro. Há outros trajectos possíveis? Há, muito mais compridos, que desincentivam o andar a pé. Os caminhos directos, as "avenidas", são para os carros. Lisboa está cortada de vias rápidas que às vezes se chamam "avenidas" mas que dividem a cidade em bantustões, sítios de onde só se pode sair de casa de carro, onde as crianças não podem brincar com o amigo que mora do outro lado da rua porque o outro lado da rua ou fica a dez minutos de carro ou exige arriscar a vida num atravessamento pedonal. Temos vias rápidas a cruzar as principais praças da cidade, o Areeiro, o Marquês de Pombal, Sete Rios, a Praça de Espanha, o Campo Grande e a Avenida da República transformadas em auto-estradas. Mas cada via rápida corta a cidade em duas zonas quase incomunicáveis. Duas vias rápidas e temos quatro bantustões. Com três já podemos ter sete colonatos independentes. E isto no centro da cidade. Como é que os decisores da autarquia — das autarquias — não percebem isso? Andam de carro. Já tive discussões com "especialistas de mobilidade" lisboetas que não sabem que na Fontes Pereira de Melo, no coração da "cidade moderna", há um pedaço sem passeio, roubado quando da construção do Imaviz, onde uma pessoa de cadeira de rodas tem forçosamente de ir para a estrada. Nunca andaram ali a pé.
Uma condição essencial para ser presidente da Câmara de uma qualquer cidade deveria ser andar só a pé durante a campanha eleitoral. Ou a pé e de bicicleta. Visto que conhecer as necessidades do trânsito automóvel já eles conhecem. Não uma tarde, a convite de uma associação de cidadãos com deficiências, com as TV à volta e todos os trajectos estudados previamente pelos assessores. Toda a campanha. Uma cidade não é assim tão grande.
Tornar as cidades amigáveis para os carros parece ser o principal objectivo dos autarcas. Cidades como no filme Cars, onde os protagonistas são carros, os amigalhaços são camiões e as raparigas giras são carros sport. É claro que os eleitores que estão dentro do carro agradecem e os que estão fora dos carros são cidadãos de segunda, mas a falta desta vivência da cidade, a pé, torna os contactos entre as pessoas mais raros, mais distantes. E a relação couraçada que os automobilistas têm entre si dificilmente se pode considerar uma relação de vizinhança. É, como gostam os neoliberais, uma relação de constante competição.
É de vias rápidas que se faz a dissolução da sociedade, da cidade, das vizinhanças, dos bairros, das relações, da solidariedade, das pessoas. Um dia vamos perceber que conseguimos chegar muito depressa a todos os sítios onde não queremos ir. Metidos em cápsulas herméticas de transporte, navegando entre o sofá da televisão e o cubículo do trabalho, com auscultadores nos ouvidos para ouvir música ou escolher a gravação da voz sintética do call center, que nos indica o melhor caminho para a solidão.
Com uma vénia de agradecimento a um dos nossos blogs preferidos.
E a um excelente jornalista que já moderou o nosso debate com os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. Curiosamente teve que relembrar no final, a alguns dos representantes dos partidos políticos, que eram adultos e que, para além da guerra partidária, o que se debatia naquele dia era a qualidade de vida do peão em Lisboa.
Rua Andrade, Anjos, lisboa
Uma manhã como outra qualquer nos Anjos.
Isto já é para lá de ilegal. É absurdo.
contribuição recebida por e-mail
PL
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