Testemunho

Temos trocado correspondência com um leitor e queremos repartir essa correspondência com todos os que nos visitam. No último e-mail, pediamos que nos enviasse um texto para publicação no blog. Zé Maria (é comos se chama), acabou por pedir que lhe fizessemos perguntas. Publicamos aqui esse e-mail, que, a partir de agora, passa a ser dirigido a todos os que nos lêem.

Não falo e não ando pois fui vitíma de um acidente de carro de que resultou um traumatismo craneo-encefálico.
Eu no dia-a-dia combato este mundo inacessível (é muito mesmo, ora acompanhem-me numa passeata, empurrem o meu veículo!) com muito apoio - tanto! - de gente amiga, que me dá boleia de um posto para outro posto. Logo, não circulo por zonas de passeios, tenho tido como que umas lentes para um mundo desconhecido, um mundo dificíl para o qual as pessoas comuns (eu antes do acidente) não estão alertadas. Passeios sem rampas, carros mal estacionados e afins. É como estar num beco sem saída!
Eu cada vez mais constato que não sou muito normal, talvez não queira, pois vivo isto com um sorriso parvo. Optimismo vs realismo. Vejo quem não tenha pernas viver, sem fome e sem frio, como há gentes (ongs) que ajudam gente lá longe (não repreendo quem o faz!) mas os vizinhos vivem na miséria. Preconceito, talvez, mas digo conceito pós.
E não sei mais... peço-vos que me ajudem com perguntas, eu respondo!

23 comentários:

  1. Caro amigo,
    É também por si que lutamos nisto. E não vamos parar até vermos a luz ao fundo do túnel.

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  2. Caro Zé, é impressão minha ou não há mesmo, em Portugal, nenhuma entidade forte que congregue pessoas com problemas como o seu? Uma das coisas que me causam espanto ao ver os passeios tomados pelos carros é não ver nenhuma associação de "cadeirantes" ou cegos, etc, a gritar.

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  3. Não é propriamente uma pergunta. É mais um desejo: o desejo de que este movimento possa fortalecer, por pouco que seja, o optimismo (seu e meu) no jogo que ele (o nosso optimismo) enfrenta todos os dias com o realismo.

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  4. Por ti Zé, sai do conforto da casa e fui à rua colar dois autocolantes numa besta que sistematicamente estaciona no passeio (com lugares disponiveis, mas a besta julga que aquele espaço no passeio à porta da garagem é dele); fui apanhado com a boca na botija por um vizinho que passeava o cão... não há de ser nada.
    Abraço Zé e FORÇA!
    JC

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  5. eu tb já fui apanhado. passamos por criminosos e os prevaricadores por vítimas. é esta a m.... de país que temos.

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  6. Felizmente ainda não fui apanhada. Não sei o que me pode acontecer se tal vier a suceder, mas são casos como o do Zé que me dão coragem para continuar. Obrigada pela força, Zé! Que ninguém desista!

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  7. Apetece-me largar os autocolantes e pegar numa bazooka

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  8. Zé,
    Tu gostarias e poderias passear ao ar livre, caso houvessem condiçoes para isso?

    Quais as principais limitações para o poderes fazer, carros mal estacionados? passeios em péssimo estado? Tudo um pouco? Onde tu moras, o que seria preciso fazer para poderes dar umas voltas?

    webrp

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  9. Zé, as respostas mais frequentes que recebo quando falo dos carros estacionados em cima do passeio são:

    - mas então onde ponho o carro?
    - eu uso sempre o bom-senso, aqui também não prejudica tanto assim!

    Que respostas dás a estes senhores bestas?

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  10. Força Zé na tua vida, não é uma palmadinha nas costas, mas sim estamos todos contigo.

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  11. Caro Zé
    Lamento obviamente o que te sucedeu, assim como lamento cada vez que um ser humano sofre, seja aqui seja mais longe, seja branco seja escuro.
    Não sei a razão que te move para participares neste Blog, mas certamente que serás talvez, mais que ninguém, a pessoa indicada para objectivamente e civilizadamente trocar ideias acerca dos assuntos que animam este movimento.
    Não foi certamente um carro estacionado que te atingiu?
    Certamente que alguém cometeu um erro que originou o teu acidente?
    Não podemos culpar todo o Universo dos Automobilistas por isso.
    Penso que aqui o que importaria, deveria ser que as pessoas dialogassem sem ter que utilizar provocações ou ameaças, ou fanfarronadas do estilo
    eu parto eu incendeio, eu ponho bombas, etc…
    Eu também aprecio as ruas largas, as amplas avenidas, os simpáticos parques e jardins de muitas cidades por esse mundo fora.
    O nosso Portugal tem as suas características próprias, e penso que nem tudo é mau.
    Aliás se fosse para encontrar torres, milhões de carros, pontes sobre pontes estradas sob auto-estradas e gente sempre excitada e em permanente estado de “stress”,
    Será que os turísticas que tanto apreciam Portugal, nos visitariam?
    Temos que viver com as condições que temos, e que cada um condescenda um pouco de si próprio.
    Que cada um mostre tolerância e boa vontade.
    Pancadarias, violência, bombas, extremismos, isso é fácil de fazer e faz-se todos os dias…
    Basta reparar no que se passa na grande maioria dos países que não foram capazes de partilhar uma evolução da sociedade, e de se ajustar as realidades.
    São guerras, guerrilhas, atentados, e para eles tudo também é legítimo e natural….
    Carlos Santos

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  12. O sr das 17:43 disse: "Não foi certamente um carro estacionado que te atingiu". Digo-lhe eu: são centenas, são milhares de carros estacionados que atingem todos os dias o Zé Maria e o seu direito de andar autonomamente, na sua cadeira de rodas, por onde quer que lhe apeteça. E quais "características próprias"?. Será por ser Portugal um país estreitinho que os carros têm que invadir os passeios?

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  13. Sr procurador dos prevaricadores, a sua prosa é como a sua cultura, e o que «é legítimo e natural» é o sr. começar a respeitar os demais!
    JC

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  14. exmos srs,
    n sei se perceberam q n uso mt passeios. o meu acidente foi às 4 da matina, devo ter adormecido, ia estagiar para uma ong em moçambique e andava em despedidas...
    estando deficiente (da minha experiência ninguém se acha deficiente, já se foi + eficiente), tenho tido acesso a um mundo desconhecido, as pessoas estacionam mal os carros, nem pensam nas consequências, acho q n podemos censurar! é sermos mt, demasiado, exigentes, eu axo q tenho aprendido a viver c as vantagens q EXISTEM em ser deficiente. n sei se respondi. fica o meu mail: [email protected] abusem!
    abrs,
    zm num estágio de vida

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  15. Anónimo das 17h43: Não vejo onde um carro estacionado em cima do passeio ou na passadeira DIALOGUE com qualquer transeunte!! Até comparo esse gesto ao de colocar uma armadilha, bomba ou o que quer chamar!!
    Gonçalo Pais

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  16. Bom dia Zé Maria,
    Apreciei a tua franqueza e felicito-te pela tua fiolosofia de vida actual.
    Continua a considerares-te "eficiente", porque o és indiscutivelmente.
    De "Deficientes", podemos efectivamente qualificar os 3 ou 4 participantes, que aqui não conseguiram resistir á tentação de demonstrarem bem aquilo que são e o que valem.
    Vivem no seu pequeno mundo, isolados das realidades, encorajam-se mutuamente nas suas tendencias violentas, adjectivam-se uns aos outros de "bestas"....
    Coragem Zé Maria, como já viste, felizmente que o "mundo" não é este, nem só este, onde vivem em ostracia uma mão cheia de pequenotes.
    Abraço
    Carlos Santos

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  17. Violência, senhor Carlos Santos, é sermos empurrados para o meio da rua por quem deixa no passeio duas toneladas de lata e plástico. E aqui não incentivamos isso. Ao contrário, sim, já houve quem até de tiros nos ameaçasse.

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  18. O sr. Caros Santos disse: "Vivem no seu pequeno mundo, isolados das realidades, encorajam-se mutuamente nas suas tendencias violentas". "Pequeno mundo" é expressão muito aplicável à relação que alguns condutores têm com o próprio carro; "isolados das realidades" aplica-se a quem se mostra incapaz de perceber as consequências reais de um carro em cima do passeio; "encorajam-se mutuamente nas suas tendencias violentas" aplica-se aos que arranjam todas as desculpas e mais alguma para porem o seu "pequeno mundo" no caminho de quem quer andar, com segurança e conforto, nos passeios.

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  19. Meus senhores,
    Vou despedir-me pois constato que afinal foi por engano que entrei neste "Blog".
    Falaram-me de um movimento cívico, que tinha objectivos concretos e era animado por nobres ideias em prol do interesse dos cidadãos.
    Apercebo-me afinal , que estar aqui a escrever, é tempo perdido, pois das duas uma;
    Ou esgotaram os argumentos, o que é lamentável,
    ou estão a ser ultrapassados pela vossa "ala" revolucionária, que apenas pretende sangue, ferro e fogo...
    É realmente lamentável, pois aqui temos um exemplo concreto de como se condena ao fracasso uma iniciativa certamente animada de bons sentimentos, e criada por gente séria.
    Se bem repararem, o discurso dos vossos "radicais" reveste pouca imaginação e ao falarem sistematicamente de "Toneladas de lata e Ferro" ou de "tiros e Bombas", ganham tanta credibilidade, como alcançam os "nudistas" revoltados quando argumentam contra os "têxteis" !
    Isto poderia chamar-se de “sabotagem” ao trabalho e ao empenho, horas perdidas e tempo livre ou de descanso, que certamente foi por esta causa sacrificado pelos seus fundadores.
    Mas isto é Portugal no seu melhor, os mais nobres ideais, saem sempre sabotados por meia dúzia de pessoas mal formadas, que tal um emplastre maléfico, se misturam sorrateiramente e falseiam o espírito de tudo o que seja bom.
    Meus senhores, desejo-lhes boa sorte na defesa das vossas convicções.
    Carlos Santos

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  20. Sr. Carlos Santos, isto não é um grupo de amiguinhos que se conhecem pessoalmente e até vão beber umas cervejas 6ª-feira ao final do dia. O senhor, ao participar, está a fazer parte do movimento. Tem uma sugestão para corrigir o que acha que está mal? Ou veio aqui só ver a bola e fazer má-lingua?

    Os desistentes não deixam saudades.

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  21. Fui eu que falei em 2 toneladas de lata e plástico e fui eu que vi aqui um condutor zangado a ameaçar dar tiros em quem surpreendesse a colar autocolantes. Peço ao Sr Carlos Santos que me explique como daí se pode concluir que sou um "emplastre maléfico", um "radical" da "ala revolucionária". Julgo-me até bastante pacífico e absolutamente incapaz de reagir com violência - presa fácil para quem por desventura queira agredir um de nós. Aproveito para esclarecer que tenho carro, que gosto dele e que uma das minhas diversões prediletas é o kart. Mas mesmo o meu querido carro, não passará de 2 toneladas de lata e plástico se, por hipótese, algum dia fosse posto em cima do passeio.

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  22. Caro Anónimo das 16h34
    Não sei o Senhor vai ou não beber copos á Sexta á tarde, e isso pouco me importa.
    No entanto se faz parte do grupo que teve a iniciativa de fundar este movimento, efectivamente talvez tivesse algumas sugestões para lhe comunicar.
    Mas face ao seu estilo, já dá para formar uma ideia da receptividade que possa vir a ter da sua parte, seja qual for a sugestão que lhe possa dar.
    Espero bem que no seio do vosso movimento, existam outras mentes, mais abertas e dispostas a aceitar uma discussão séria e construtiva.
    Uma conversa que possa conduzir a alguma coisa e que confirme a expressão, "a união faz a força".
    O Senhor antes de ser gratuitamente grosseiro e mostrar um nível pouco elevado na sua intervenção, deveria talvez questionar-se se por acaso este vosso movimento não precisa de mais aderentes, mesmo que não comunguem da totalidade das vossas ideologias, mas possam ser o elo que liga outro elo e assim se fazem correntes de pensamentos e de movimentos.
    Carlos Santos

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  23. Caro Carlos Santos,

    Compreenda que, tal como você pode comentar o que quiser, no tom que quiser, qualquer outra pessoa o pode fazer. A favor ou contra o uso do autocolante. Tal como seria injusto e incorrecto julgar todos os que são contra o uso do autocolante, pela postura de alguns nestes comentários, o Carlos Santos também deve compreender que não pode fazer juízos de valor sobre mais ninguém a não ser a pessoa que faz o comentário. Dizendo de uma forma rápida: a asneira é livre, tanto de um lado como do outro.

    Se quiser ficar a contribuir com nível e educação poderá fazê-lo sempre, mas terá mesmo que ignorar os que não têm. Porque eles não irão desaparecer.

    Compreenda que esta iniciativa não é um movimento. Ao receber os autocolantes em casa ou lá porque alguém imprimiu o autocolante em casa, não lhe dá garantia de bom-senso eterno sobre todas as coisas que afirma. Eu colo autocolantes porque imprimi uns tantos em minha casa e não faço ideia e não conheço mais ninguém que o faça. Já pensou também que nem é possível garantir que quem parece defender o autocolante o pode estar a fazer de forma a propositadamente denegrir a iniciativa, aconselhando a que se risque os carros ou esvazie os pneus?

    João Rodrigues

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