Os voluntários do Passeio Livre querem multar automóveis mal estacionados!


Surgiu recentemente uma notícia no jornal Público, em que o governo prevê que empresas privadas possam emitir multas de estacionamento. Não podemos deixar de demonstrar a nossa grande surpresa pela medida, pois só os mais desprevenidos podem eventualmente considerar que é por falta da existência de entidades públicas que o estacionamento selvagem é prática corrente em Portugal. Mas não é! Não faltam entidades em Portugal públicas competentes para multar carros mal estacionados; a título de exemplo, em Lisboa, estão legalmente autorizadas para o fazer, a PSP, a Polícia Municipal e a EMEL.

Poderá estar em causa talvez, seguindo uma lógica neo-liberal, a transferência de competências que, por tradição são de índole pública, para o domínio das entidades privadas, com o suposto aumento de eficiência e diminuição de custos. No Passeio Livre, pouco nos interessa quem autua os carros ilegalmente estacionados, a nossa missão tem sido e sempre será defender os cidadãos mais vulneráveis na mobilidade, mormente os peões. E pelo menos, temos dado vasta prova factual neste espaço, que três entidades públicas têm sido incapazes para sanar a selvajaria no estacionamento na cidade de Lisboa, mesmo que as multas pudessem ser um incentivo financeiro, considerando os elevados passivos contabilísticos das autarquias. É certamente mais fácil aumentar taxas em esgotos, resíduos urbanos ou IMI, como pretende fazer o Dr. António Costa na cidade de Lisboa.

Assim sendo, e considerando que o governo decidiu abrir à iniciativa privada a legitimidade e autoridade para multar carros ilegalmente estacionados, vimos por este meio referir, Exmos. Srs. edis e governantes, que no Passeio Livre também estamos interessados!

Os nossos voluntários estão prontos a substituir os autocolantes por autos de coima ao abrigo restrito do art.º 49.º do Código da Estrada, e garantimos a V. Exas. que além de sermos muito mais eficazes, pois não temos a mínima piedade nem complacência pelo condutor que, sem qualquer respeito pelo próximo, estaciona o seu carro em cima do passeio ou da passadeira, a nossa atividade será também muito menos onerosa ao erário público, pois, enquanto cidadãos, temos dado provas de vários serviços em nome da res pública, ou seja, temos sido prestadores de serviço público a custo zero para o contribuinte.

Demonstramos assim por este meio, elevado interesse em ser uma das entidades privadas responsáveis por autuar os automóveis ilegalmente estacionados. Afinal, dispomos de uma vasta rede de agentes, voluntários mas já muito experientes neste género de fiscalização. Além disso, perante um potencial de mercado tão promissor, as perspetivas de bons resultados financeiros, a curto e médio prazo, seriam um incentivo adicional que, seguramente, nem a própria edilidade menosprezaria.

Finalmente, gostaríamos de propor a expansão a outros segmentos de atividade, tais como a fiscalização de limites de velocidade e violação do sinal encarnado nos locais com semáforos.

A cidade agradece!

Até o INEM estaciona no passeio, para se almoçar!




Num passeio da Avenida das Forças Armadas, no dia 1/Jul/2014, circa 13h15, junto à rotunda de Entrecampos, Lisboa, encontrava-se uma ambulância do INEM estacionada, sem sinalização de emergência, a ocupar toda a largura útil de um passeio com muito trânsito pedonal. 

Tal estacionamento obrigava as dezenas de pessoas que passavam no local a desviar-se para a faixa de rodagem, colocando-as em perigo. O nosso leitor ao passar pela ambulância constatou que uma tripulante estava sentada no lugar de passageiro, e que vinha a condutora em passo acelerado com um saco de compras do Continente (que se situa em frente).

Ao tentar explicar educadamente à condutora o perigo que o seu estacionamento representava para os outros, o nosso leitor refere que foi presenteado com "uma épica falta de educação". A jovem limitou-se a virar costas e a entrar para o veículo.

Como é evidente, tal estacionamento não se justificava sequer em caso de emergência, visto a estrada possuir várias vias de circulação, e é evidente que em caso algum se pode colocar os restantes transeuntes em perigo, muito menos para comprar o almoço.

Percebemos perfeitamente que o INEM presta um notável serviço público à população, mas não vale tudo! Uma solução, ao abrigo da Lei, teria sido simplesmente estacionar a ambulância na faixa de rodagem, que é o local propício para as viaturas, não no passeio.

O nosso leitor reportou também esta situação ao INEM.