Nós ajudamos, dr. Gaspar!

Notícia da TSF assim refere:

Aberta a caça à multa? Governo quer mais receitas com infracções nas estradas

As violações ao código da estrada renderam menos dinheiro no ano passado e o Governo quer inverter a queda. O objectivo é aumentar esta receita já este ano.

Em 2012, as multas valeram cerca de 84 milhões de euros. Deste valor, 37% (pouco mais de 28 milhões de euros) reverteu para o Estado. Para este ano, o objectivo é mais ambicioso: o Governo quer arrecadar 85,4 milhões de euros em multas de trânsito.

O valor está previsto no Orçamento Rectificativo, que foi discutido esta sexta-feira na Assembleia da República.

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Oh Dr. Gaspar, dê uma olhadela pelas 2135 fotos do nosso acervo, o que não falta são locais de impunidade garantida, com elevadas infrações ao art. 49.º do Código da Estrada, com um elevado pontecial de receita fiscal (com a consequência de melhorar a qualidade de vida na cidade e do espaço público, mas isso deve ser secundário)

Dr. Gaspar, a uma média de dois carros mal estacionados por foto e com uma multa de 30€ (valor mínimo previsto na lei e desconsiderando o bloqueio do carro) temos só por aqui cerca de 130 mil euros para "declarar" às finanças!

QUANTO CUSTA AFINAL TER CARRO?

No Passeio Livre temos uma visão mais geral e menos limitada do problema do estacionamento ilegal. Mesmo que as autoridades passassem coimas de 500€ a cada infrator, o estacionamento ilegal continuaria a existir, e a pressão sobre a ocupação do espaço pedonal poderia ser canalizada simplesmente para a redução de passeios para se dar aos automóveis mais estacionamento legal.

Assim, a questão do espaço (ou falta dele) está inteiramente ligada à questão do estacionamento ilegal. Lisboa foi conquistada pelas tropas afonsinas em 1147, numa altura que já existia a Mouraria e Alfama, com as suas ruas esguias e labirínticas. Daí até a princípios do séc. XX, nunca os urbanistas lisboetas pensaram que esta cidade teria automóveis, como tal não a conceberam para esse intuito. Marquês de Pombal quando manda desenhar a Baixa com largas ruas, não foi a pensar em automóveis (que nem existiam), foi tão-somente para evitar desastres futuros como o que aconteceram em 1755, quando os edifícios desabaram uns sobre os outros por estarem muito perto entre si. Ruas mais largas melhoravam também a higiene urbana, arejavam a cidade e permitiam dar mais espaço às pessoas. A exceção surgiu já em meados dos anos 60 do séc. passado com as famigeradas avenidas novas, que surgiram como imitação bacoca "à portuguesa" das cidades norte-americanas, muito em voga então, ou seja, avenidas largas e muito espaçosas, mas dedicas essencialmente ao automóvel. Nem Londres, nem Berlim, nem mesmo Paris, têm tão largas avenidas dedicadas quase na totalidade ao automóvel, tão perto da baixa da cidade. Tais situações contemplamos apenas por exemplo em Nova Iorque, com por exemplo a quinta avenida, bem no coração da cidade nova-iorquina.

Assim, um problema que incide diretamente nos números do estacionamento ilegal, é a falta de espaço público, devido à elevada taxa de motorização de Portugal. Não podemos desvincular os dois factos. Portugal tem a terceira maior taxa de motorização da UE e só em Lisboa entram por dia mais de 500 mil veículos. Assim, cria-se naturalmente uma enorme pressão sobre o espaço pedonal. Não pensamos que seja má vontade dos automobilistas, ou que seja mesmo má fé. Poderá ser em parte, mas o problema da falta de espaço, é mesmo muito crucial.

Assim, partilhamos este simulador para que fique ciente de quanto custa no TOTAL ter carro. Esperamos que seja mais um a vender o carro (ou usá-lo bastante menos) e a diminuir a taxa de motorização do país, evitando a enorme pressão que existe para a ocupação do espaço pedonal


Encontra as diferenças entre Vicenza e Lisboa?

Porque razão em Portugal uma zona pedonal raramente é zona pedonal?!
 
Aqui temos um bom exemplo da cidade de Vicenza no norte da Itália: uma cidade para todos e não apenas para os que têm carro!

Dois em um - Rua do Telhal, Lisboa

Parar ao mesmo tempo em cima do passeio e da passadeira é típico dos homens das cavernas!!

Uma praça pedonal entregue aos popós - Largo do Regedor, Lisboa

Este é o cenário que se pode encontrar todos os dias no Largo do Regedor, em Lisboa. A esquadra da polícia é mesmo ali ao lado, mas aqui ninguém cumpre (ou faz cumprir) o código da estrada (SIM A POLÍCIA, A POLÍCIA QUE É PAGA PARA TAL, NÃO CUMPRE A LEI). A pergunta que se coloca é obviamente se este espaço é uma zona onde os peões podem circular ou se é apenas e só mais um parque de estacionamento gratuito.

Porque em Portugal para muita gente o direito a ter carro e a lugar gratuito deveria estar constitucionalizado.