Para que servem os passeios no Largo Rodrigues de Freitas?

«Os passeios no Largo Rodrigues de Freitas, à entrada da Calçada da Graça, estão também nestas condições que se vê nas fotos.


É neste cenário deplorável que os peões são recebidos - incluíndo milhares de turistas. Quanto ao "espaço verde" na placa central, está num estado lastimável. Este é um largo muito esquecido e mal tratado.»
Contribuição de um leitor

O eterno dilema: o que privilegiar na alocação de espaço público, pessoas ou carros?

    Está em discussão dia 02 de Julho às 18h nos Paços do Concelho de Lisboa na Praça do Município o projecto para a reformulação e arranjo, após as obras do metro, da Avenida Duque de Ávila.
    Segundo o que consta a circulação rodoviária será feita em novos moldes, somente no sentido S.Sebastião /Arco do Cego.
    O passeio Norte será alargado, destinando-se esta faixa fechada ao trânsito apenas a peões e a uma pista ciclável.
     Eis que surgem logo diversas vozes, que pelos vistos terão hábitos de estacionamento à porta de casa, seja em cima do que for, a reclamar esta perda de espaço para os seus automóveis, os comerciantes receosos da perda de clientes, enfim o costume sempre que se pensa em alocar menos espaço a carros e mais a pessoas.
     Será que neste país já se acha que é impossível existir sem ter carro? E qual será o problema de o estacionar um pouco mais afastado da loja ou de casa e poder usufruir de uma rua mais silenciosa, limpa e bonita? As ruas serão só de quem nelas vive e trabalha ou de todos?
      Se têm ideias sobre estas questões, e outras que queiram contrapor à ideia de que o espaço público é para automóveis, apareçam no debate e equilibrem um pouco mais a discussão!        

Querem a continuação disto:
    


   








(foto de estacionamento na Av. Duque de Ávila)


Ou algo parecido com isto:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(exemplo de pedonalização de espaço público)
 
       Ass: Nuno
              (Na qualidade de peão, ciclista, automobilista e utilizador de transportes públicos)

Deficiente morre após agressão (JN)

«Um homem que não tinha uma perna foi agredido pelo ocupante de um automóvel, em Lisboa, que achou que o deficiente estava a demorar muito tempo a atravessar uma passadeira. A vítima morreu menos de um dia depois. As autoridades investigam o caso.
A agressão ocorreu pouco depois das 16 horas de sábado, em Moscavide, depois de a vítima, João Santos, morador num prédio da Rua Maria Judite de Carvalho, do Bairro Casal dos Machados, ter saído de casa para comprar frutos secos, segundo contou, ao JN, a filha, Rita Santos.
João Santos, viúvo e antigo taxista, não tinha uma perna, amputada devido à diabetes. “Apesar de ter uma prótese e muletas, nada disso afectava o meu pai, que queria andar sempre a fazer coisas, nunca queria estar parado”, comenta Rita.
No sábado, João Santos saiu de casa, dessa vez para comprar frutos secos. No regresso, o antigo taxista voltou a atravessar a Rua João Pinto Ribeiro, que separa Moscavide do Bairro Casal dos Machados e o sinal estaria verde. “Como o meu pai é vagaroso devido à deficiência, o sinal vermelho acabou por cair quando ele ia a meio da estrada”, contou Rita Santos, com base no testemunhas que assistiram ao caso.
Alguns condutores pararam, outros evitaram o deficiente, mas num carro conduzido por uma mulher, que levava ao lado um homem, a passagem do deficiente acabou por levar a discussão. E o indivíduo que acompanhava a condutora terá, a dado passo, saído do carro e entrou numa acesa discussão com João Santos, após o que lhe desferiu um soco na cara, que lançou o deficiente no chão. De seguida, o agressor fugiu no veículo conduzido pela mulher.
“O meu pai ficou com um grande ferimento no sobrolho”, contou Rita Santos, que já só viu o pai no Hospital Curry Cabral, para onde foi transportado. À noite, já depois de ser suturado com seis pontos, João Santos regressou a casa, sob alta médica, e “passou bem a noite”, lembra Rita, secundada por uma prima e sobrinha de João Santos, Maria da Graça Tavares. “Ele às vezes queixava-se de uma dor ou outra, mas estava bem e dizia que reconheceria o agressor”.
Anteontem, João Santos parecia estar a recuperar. Cerca do meio-dia, sentou-se no sofá da sala a ver televisão e parecia adormecido, mas quando a filha chamou por ele, o antigo taxista já não respondeu. “Estava no sofá caído para o lado direito”. Foi levado para o hospital, mas apenas para lhe ser já certificado o óbito.
Rita Santos espera agora que a autópsia seja feita para se verificar se há ou não associação entre a agressão na passadeira e a morte, mas, defende, o “meu pai não tinha quaisquer problemas, além da diabetes. Estava sempre a fazer exames e não lhe foi detectado algum problema. É estranho ele ter sido agredido e menos de 24 horas depois acabar por morrer.
O JN confirmou que o caso foi registado pela PSP, que o comunicou ontem à Polícia Judiciária de Lisboa.»
in Jornal de Notícias, 30Jun10
Desenho retirado da net.

"Preguem disculpim les molèsties" - «Descupe o incómodo!»


«Esta imagem foi feita em Barcelona.
Durante uma semana estive por lá, fazendo de turista e vendo museus e exposições. Mas, e principalmente, tendo o prazer de estar numa cidade civilizada!
É verdade que Barcelona, devido à geografia do terreno, bem como à gestão urbanística executada ao longo dos tempos, possui passeios bem largos. Grandes quanto baste para albergar incontáveis automóveis, deixando as vias livres para a circulação. No entanto…
No entanto isso não se vê. Em parte alguma!
Os passeios existem para os cidadãos andarem, passearem, estarem. Para os automóveis existem as faixas de rodagem e os estacionamentos apropriados. Que, por aqui, as coisas não se confundem.
Claro que, por vezes, os espaços pedonais são ocupados. Por obras, por exemplo. Mas estas são, como no exemplo, vedadas, circunscritas à menor área possível, impossíveis de criarem acidentes e deixando sempre espaço suficiente para que os cidadãos usufruam do que é seu: espaço.
Mais ainda: os resíduos, o entulho, a terra retirada de buracos abertos, não ficam ao deus dará, espalhando-se pelas áreas pedonais ou automóveis! Contentores, metálicos ou de tecido, são estrategicamente colocados nos locais de intervenção, enchidos com o entulho e retirados mal se encontram cheios. E o chão, em redor da obra, criteriosamente limpo por quem nele trabalha.
Acrescente-se que, ainda que de pouco adiante, são acrescentados cartazes como este, onde se pede desculpa pelo incómodo causado. Ainda que o incómodo seja como se vê.

Nota extra: vi um único automóvel mal estacionado. Na faixa de rodagem, à esquerda, encostado ao passeio e com os quatro piscas ligados. Pareceria estar em Portugal, não fora…
Não fora ter-me deixado ficar por ali por uns vinte minutos, para saber quem tinha tal feito. E a viatura só não foi multada por três vezes, porque uma bastava. Depois da primeira patrulha, um motociclista, a ter multado, duas outras pararam nesse local e tempo com o mesmo intuito. E vendo que já lá estava o respectivo papelinho, seguiram em frente. Em vinte minutos três patrulhas param perante a ilegalidade!

Nem sei porque se espantam de eu desejar aqui viver!»
Contribuição de um leitor