precisas mesmo de levar o carro?

Uma iniciativa (10:10 -  Cortar 10% de emissões ao longo de 2010) está a dar os primeiros passos em Portugal e a acumular os primeiros participantes, inspirada num projecto britânico que está a dar que falar.


No último post interroga - precisas mesmo de levar o carro?

No Reino do Absurdo

 Lisboa, Rua da Prata, 20 Jan 10
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Sim, é verdade! A camioneta que está a estragar o passeio pertence à mesma entidade dos senhores que o estão a compor - a CML! Perante isso, o facto de haver uma senhora que procura uma nesga para passar (enquanto a camioneta manobra!) até acaba por parecer um mero pormenor...

Teimosia e boas notícias em Oeiras

Alameda Conde de Oeiras, em Oeiras. Aqui está um resistente, que já tem 5 autocolantes nos vidros laterais e continua teimosamente a estacionar no mesmo sítio, em cima do passeio (apesar dos pilaretes aqui existentes, este ou esta automobilista entra pelo relvado). Este "braço-de-ferro" é comentado entre os moradores da vizinhança: quem é que irá desistir primeiro? Todos estão a torcer pelo(a) colador(a) dos autocolantes.










A polícia de Oeiras, como de costume, ignora este carro, como ignora todos os carros em cima dos passeios, a menos que seja no bocadinho de passeio mesmo à frente da porta de entrada da esquadra.
Além de estacionar o carro no passeio, este(a) automobilista deve ser um perigo a conduzir: os 3 autocolantes do vidro do lado do condutor já lhe tiram a visão lateral (designadamente, nos cruzamentos), e mesmo assim ele(a) não os tira...

Continua no próximo episódio...

Uma leitora identificada

Como o mail já tem uns meses ficamos a aguardar notícias do(a) teimosa(o)

Mas também em Oeiras, há boas notícias no sempre excelente blog A Nossa Terrinha!

São os carros, as ciclovias, os cocós dos cães.... e já agora também os Segways!

Está a ser preparado pelo IMTT um Decreto Regulamentar que estabelece um regime experimental de circulação de «Segways» em espaços públicos. Este ante-projecto propõe que os segways sejam obrigados a usar como local primário de circulação os passeios. Foi solicitado à ACA-M que apresentasse o seu contributo.

Alguns extractos:

O Segway é um equipamento pertencente a uma classe de veículos que tem recentemente recebido atenção de fabricantes e utentes, em relação à qual só nos últimos anos os diversos estados europeus têm procurado estabelecer regulamentação própria de forma a resolver uma situação de indefinição legal, com consequências negativas na gestão dos sistemas de mobilidade. Esta classe de veículos é conhecida como: Veículo Eléctrico Pessoal ou VEP (Electrical Personal Vehicle).


A ACA-M concorda portanto com a necessidade de uma regulamentação clara sobre as possibilidades e limites da circulação deste tipo de veículos nos espaços públicos, preenchendo-se o actual vazio legal em Portugal, e considera que é imperioso fazê-lo de forma reflectida e informada, pelo que tem todo o gosto em poder apresentar as suas contribuições. A ACA-M considera que o ante-projecto agora em análise não deve ser elaborado tendo apenas em atenção a necessidade de regulamentação do uso do Segway em espaços públicos, mas antes que deve ser regulamentado o uso dos VEP em geral. No que concerne aos chamados «modos suaves de locomoção», entre os quais os VEP se incluem, o Estado português não regulamentou ainda, ou regulou deficientemente, a utilização de diversos dispositivos com muito maior presença em espaço público urbano e não urbano, como sejam as bicicletas, os triciclos sem motor (como os usados em várias cidades europeias como táxis não motorizados), os patins, os diversos tipos de skateboard, as trotinetes com motor de combustão, motor eléctrico ou sem motor, e as cadeiras de rodas motorizadas.


Neste sentido, parece-nos que a presente intenção e regulamentação da utilização dos Segway em espaço público constitui uma oportunidade para para rever profundamente o Decreto-Lei 163/2006, de forma a limitar eventuais incompatibilidades legislativas, e lançar as bases para uma alteração profunda do próprio Código da Estrada, de forma a que este reflita os novos paradigmas de mobilidade rodoviária, no sentido de o transformar num Código Regulamentador das Relações entre Diferentes Modos de Locomoção (incluindo-se aqui a definição um "Código da Rua", a exemplo do que acontece noutros países europeus), assente no princípio da hierarquia invertida da responsabilização civil, para uma mais efectiva protecção dos meios de locomoção mais frágeis (peão > veículo de duas rodas sem motor > veículo de duas rodas com motor > veículo de quatro rodas com motor, etc.).








O ante-projecto em análise evoca a necessidade de regulamentação dos Segways para “promover a crescente sustentabilidade ambiental e a eficiência energética das deslocações em meio urbano”. Neste âmbito, a ACA-M alerta para a falácia envolvida neste tipo de argumentação (conhecida internacionalmente como «greenwash»). Consideramos ser necessário, antes de mais, um maior incentivo à pedonalidade em meio urbano, essa sim, o meio de transporte ambientalmente mais sustentável. Um outro meio de transporte com reconhecidas vantagens e potencialidades, particularmente em meio urbano, é a bicicleta, e os problemas inerentes à regulamentação da sua circulação em espaço público não estão ainda solucionados em Portugal. Neste sentido, insistimos que se deverá aproveitar esta ocasião para reavaliar uma vez mais todo o Código da Estrada, colocando a pedonalidade como critério central, tomando especial atenção a outros meios de transporte efectivamente alternativos ao automóvel. De uma vez por todas, tem de ficar claro que, ao contrário do que se pensava no século XIX e em boa parte do século XX, o transporte individual não é um sinónimo absoluto de progresso e bem-estar da sociedade. É pois essencial, do ponto de vista ambiental, da qualidade de vida e da segurança dos cidadãos tomar medidas que devolvam o espaço urbano ao peão.
(...)
A ACA-M considera que, tendo em conta o panorama actual das condições do espaço público e da rede viária em Portugal, em particular em meio urbano, a utilização destes «dispositivos de auxílio à mobilidade», sejam os Segways, sejam outros VEP, vem levantar inúmeros e sérios problemas à segurança dos utentes mais frágeis - os peões - e até dos próprios utilizadores de VEPs, sobretudo se o local de circulação for o passeio.


Tal como a autorização do uso das bicicletas nos passeios, colocar um equipamento motorizado sobre os passeios é transformar o VEP, de um meio de transporte eventualmente sustentável, num possível predador de um outro meio ainda mais sustentável, mais vulnerável, em declínio de utilização e ao qual todas as políticas nacionais e europeias recomendam especial protecção e encorajamento em meios urbanos nas próximas décadas - o peão.
(...)
Neste contexto, o surgimento deste ante-projecto não constitui uma surpresa: argumentar que é perigoso o uso do Segways ou de outros VEPs nas vias de circulação motorizada e considerar ser mais seguro o seu uso nos passeios é um raciocínio esperado num país com um forte paradigma motorizado entre os decisores, onde desponta uma cândida atracção pela inovação dita "sustentável" (o referido «greenwash»), com fraca consciência holística dos problemas da mobilidade urbana (urbanidade, civilidade, acessibilidade, obesidade, velocidade, etc.), e com fraca ou inexistente defesa cívica da pedonalidade.

Para saber mais:

uma mãe e um vídeo


Boa noite
Como mãe e cuidadora de uma criança com Paralisia Cerebral sinto no corpo (literalmente!) o peso da cadeira de rodas, todos os dias, em qualquer lado... As nossas cidades, vilas e aldeias não são acessíveis como deveriam (abro a excepção à cidade de Braga, em que podemos passear sem grande esforço) e quando nos deparamos com estas situações só nos dá vontade de fazer qualquer coisa de muito drástica para chamar a atenção dos automobilistas "prevaricadores"!
Confesso que numa situação específica (e isto não é para ser tido como exemplo!!!!) em que a condutora estava parada em cima do passeio, com lugares de estacionamento vagos no outro lado da rua (a 4 mts de distância), esperei que ela olhasse para mim e para o meu filho e actuasse conforme esperado... Como não o fez, "passei-me" e sempre a resmungar, passei no espaço que restava e o carro ficou com um risco. Parei, olhei para ela e perguntei-lhe se queria sair do carro e chamar a Polícia. Ela não saiu e acenou "não"... Espero que tenha aprendido a lição... mas era escusado, até porque podia ter-me saído caro a mim!
Com isto peço-vos que me enviem os vossos autocolantes assim como os dados para pagamento dos mesmos,
Obrigada,

Leitora identificada
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....e por falar novamente em Paralisia Cerebral ver por favor este excelente programa sobre assunto! Se estaciona no passeio perceberá melhor uma das razões porque levam alguns de nós a usar autocolantes.

Postal de Lisboa

«Boa tarde,
Que tal esta imagem do Campo Grande como cartão postal de Lisboa para o turismo? Espere, onde está o monumento? Humm, ali atrás....
Numa zona tão central? Por favor... Com carros da polícia e pessoal da EMEL a passar por eles como nada estivesse errado?
Nem tenho de me esforçar para encontrar estas situações. Basta andar 40 metros em Lisboa.
E para ajudar os pobres condutores ainda se tira "legalmente" passeio aos peões para fazer de estacionamento. Av. do Brasil?
Lá atrás encontra-se um outdoor verde com a palavra "Cumprimos". Cumprimos especificamente o quê Sr. Presidente? Lisboa continua o mesmo caos de sempre. Não existem restrições à entrada de carros na cidade, não existem fiscalizações competentes, não existem alternativas cicláveis significativas no interior da cidade. Não serve de nada fazer uma ou outra ciclovia antes das eleições (sem interface entre elas e que entretanto são invadidas por carros, como a que liga Belém ao Cais do Sodré) e depois "esquecer" tudo de novo.
Sabe qual é a sensação que tenho quando saio do Aeroporto (qual é a capital europeia que não tem metro ou comboio até ao aeroporto?) para as ruas de Lisboa? Parece que cheguei a um país do terceiro mundo. Começo logo por ficar horas numa fila de trânsito num taxi (recuso-me a andar de autocarro com criança de 3 anos e bagagens), quando saio do taxi, tenho de ir pela estrada, porque muito provavelmente o passeio está ocupado por carros ou destruido. Isto com uma criança ao colo e carregando bagagens.
Acha realmente que um turista vai ter uma perspectiva diferente da minha? "Where is the subway? No subway, just take the damn taxi or the little stupid shuttle bus".
Está na hora de tirar a cabeça do chão e da sede de votos e aprender com cidades do primeiro mundo como Londres, Paris, Milão, Amesterdão, Colónia, Estocolmo, Helsínquia e muitas outras mais.
O problema de se viajar é este. Quando se volta aqui a frustração é muito grande...»
Contribuição de um leitor,

Espantoso, não é?

«É com muito gosto que pela primeira vez me dirigo a si.
Sou um 100% apoiante da sua (nossa) causa e vou por isso começar a descarregar a minha " raiva" pela inexistência de respito pelos outros e pela postura "lassez faire lasser passez" que as nossas autoridades demonstram.
Penso que muitos dos que aqui deixam o seu contributo sonham em ser um dia polícia de transito......
Bom aqui vai o meu primeiro flagrante ...
«Faro (junto à Assoc. de paralesia cerebral) e reparem bem....
1-Carro com 4 rodas em cima do passeio;
2-Em frente à passadeira;
3-Junto a um edifício com mais de centena de deficientes;
4-Matricula francesa (só pela curiosidade);
e
5-Atenção.....Ele também é deficiente (tem um dístico no vidro da frente).
Espantoso não é?»
E-mail enviado ao PL

de lamentar

Há cerca de um mês, denunciou-se [aqui] a forma perfeitamente absurda como foram concebidas as recentes "coimas amarelas" da EMEL - nomeadamente as instruções para o respectivo pagamento, que não permitem o uso do MB, "convidando" o infractor a deslocar-se à sede da empresa - o que, evidentemente, poucos farão.
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Como não podia deixar de ser, em consequência de tanta incompetência, o descrédito é total, pelo que não falta quem, ostensivamente, atire os avisos para o chão, na certeza da impunidade, como se documenta no referido post.
 
Esta foto mostra, em 1.º plano, um outro aspecto da mesma realidade, que se pode ver com frequência em Lisboa: um condutor faz gala do seu desprezo pela lei, exibindo o papelinho no pára-brisas, a esvoaçar, até ele desaparecer nos ares...