Marca Amarela em Carcavelos

Um e-mail de um leitor para a Policia Municipal de Cascais:
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Bom dia,

moro ao cimo da Rua Quinta da Vinha e todos os dias sou deparado ao sair de casa com vários veículos em cima do passeio. Para além de existirem vagas no estacionamento mais abaixo, o passeio está cada vez mais danificado e atrapalha imenso para quem como eu desloca um carrinho de bebé e mais uma criança. Solicito que os mesmos veículos sejam autuados, pois tive oportunidade de falar com um dos prevaricadores e o que recebi foi uma resposta agressiva com um "dê a volta".

Fico à espera de uma resolução,
CV

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Passado três meses e sem resultado tornou a escrever, com duas fotografias:

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Na ausência de actuação da autoridade na Rua Quinta da Vinha (Carcavelos), haja alguém que felizmente se preocupa. Pelo menos podemos contar com estas pessoas, já que a polícia não faz a sua obrigação.

Obrigado por nada meus caros senhores representantes da "autoridade".

ps: se se derem ao trabalho de ver todo o corpo do email, a primeira mensagem foi enviada a 21 de Abril. Um mês e meio depois, nada da vossa parte, apenas respostas meramente protelatórias para encher...




Não há ninguém interessado em comprar...


Este é um email fora do habitual, mas demonstra claramente o espírito egocêntrico de quem estaciona indevidamente. Li no jornal da região que a Câmara de Oeiras vai construir um estacionamento vertical em Paço de Arcos com 6 andares para 151 lugares. Tal notícia seria fonte de rejubilo entre quem não tem onde estacionar, mas não o foi e porquê? Porque os lugares serão pagos, e é claro que o Zé prefere parar em cima do passeio do que se portar civilizadamente e colocar o seu carrinho num lugar destinado a isso. E depois ainda vêm dizer que não há lugares...

Ora leiam: “....um parque desta dimensão com151 lugares para o boneco”, lamenta Miguel Martins, ali residente há 30 anos. “Não há ninguém interessado em comprar”, garante, apesar de concordar que o estacionamento é um problema na zona."

E esta gema de um autarca do PSD: "...Quem realmente precisa do lugar não tem capacidade para o comprar". Pois, quem não tem dinheiro não tem vícios meu caro.

Agora, claro, vão responder os que defendem que o estacionamento é um direito.... Claro que é...... assim como a gasolina, os pneus, as revisões, a circulação em auto-estradas.... é tudo de borla neste mundo.

Extractos do Jornal da Região Oeiras nº 174

CAV

Uma opinião sobre o debate no São jorge

Tendo recebido o vosso convite, desloquei-me hoje ao S. Jorge, na esperança de encontrar um verdadeiro debate.

Como sou firme defensor da democracia participativa, não posso deixar de louvar qualquer iniciativa que promova debate, a fortiori debate entre cidadãos e representantes de forças políticas, candidatos às eleições autárquicas, salvo erro um deles também deputado à Assembleia.

Dispus-me, pois, a ouvir, e tinha preparado uma intervenção em três pontos. Por razões completamente alheias à vossa vontade, as intervenções dos representantes dos partidos azedaram, a tal ponto que algumas das pessoas presentes saíram da sala, e eu estive quase a fazer o mesmo nessa ocasião.

Mas fiquei. Esperei pelo início do "debate". Depressa realizei que não ia haver debate, mas sim perguntas, curtas e dirigidas a cada um dos membros da mesa.
Às primeiras respostas, ficou claro que o debate prosseguia, mas na mesa, através dos confrontos partidários. Perdi a paciência e saí, muito enervado.

Não sei até que ponto o modelo das sessão seguido pelo moderador foi da vossa lavra, de sua iniciativa, ou imposto pelos membros da mesa. O certo é que, tendo vivido 20 nos no estrangeiro, nunca vi tal coisa!

Como não vos posso nem quero imputar qualquer responsabilidade pelo sucedido, e eu próprio reconheço que, se não fosse ter-me enervado, até talvez pudesse ter feito a minha intervenção, resolvi enviar-vos esta mensagem, principalmente por achar que tratando-se de um problema que vocês sentem certamente de forma mais aguda, mas que diz respeito a toda a gente, não adianta degladiar-nos, mas sim procurar soluções em conjunto.

Eis, por conseguinte, o que pretendia ter referido na minha intervenção.

Ponto prévio: sou fortemente a favor da bicileta. Vivi 20 anos na Bélgica, sempre tive bicicleta e utilizei-a extensamente. Agora, com 53 anos, não posso andar de bicicleta devido a problemas nas costas e uma fractura no pulso. Por conseguinte, utilizo vários meios de transporte. A pé, transportes públicos, automóvel. Consoante as necessidades, os horários, os percursos.

Primeiro ponto, a questão ética. Custa-me muito que num país democrático, embora seja perfeitamente legítimo que grupos de cidadãos se formem para defender interesses que são comuns ao grupo, se estabeleçam dicotomias do género "pessoas e carros". Dicotomia aliás utilizada várias vezes pelo actual Presidente da CML. Acontece que esta "coisificação" dos automobilistas, que os exclui da categoria de "pessoas", não só é incorrecta, mas muito perversa, e frisa o fascismo. Trata-se, a meu ver, de uma discriminação inaceitável, não só por lhes negar o estatuto de pessoas, mas porque pretende demonizá-los de duas maneiras. Primeiro, atribui-lhes uma espécie de culpa generalizada por todos os malefícios que atingem a mobilidade dos peões. E depois, parte do princípio de que os automobilistas têm escolha, e que só não andam a pé, de bicicleta ou de transporte público porque não querem. Ora, não só isto é inteiramente falso, como é ainda revelador de uma outra discriminação, aquela que atribui inteira legitimidade às necessidades de deslocação dos peões, e a nega às dos automobilistas. Falemos, por favor, de "peões e automobilistas", em vez de "pessoas e carros", OK?

Em segundo lugar, a questão da legalidade. Naturalmente que qualquer pessoa de boa fé não vos pode negar razão neste ponto. Os carros não devem estar em cima dos passeios e das passadeiras nem obstruir a passagem quer de peões quer dos outros automobilistas. Porém, sejamos equitativos. Se se pretende a aplicação estrita da Lei, então TODOS temos de a respeitar. Como sabeis, em Portugal muito poucos peões respeitam os semáforos ou as passadeiras! Os motociclistas andam a mais de 100 à hora dentro da cidade, fazem ultrapassagens pela direita e no meio do tráfego, e as próprias bicicletas não respeitam nada, como se o código da estrada não lhes dissesse respeito. Foi, aliás, muito interessante, ler na brochura que vocês distribuiram intitulada "A Jingla nº1", a vossa apologia deste desrespeito, quer em relação ao capacete, quer aos sinais!!! Tenham tento. Na Bélgica e na Holanda, não só os sinais têm de ser respeitados pelos ciclistas, como o uso do capacete é obrigatório, e é também obrigatório fazer com a mão os sinais de mudança de direcção. Um ciclista não pode usar uma passadeira de peões montado na bicicleta. Até os peões podem ser multados. Eu fui, por não atravessar na passadeira. Só se pode atravessar fora da passadeira se ela estiver a mais de 25 metros! Se querem fazer denúncias à Polícia e que os automobilistas sejam multados, vocês deviam assumir as mesmas responsabilidades. Ou não?

Em terceiro e por último, as soluções. Foi referido por Heitor de Sousa e por Nunes da Silva o essencial da questão; não sei se posteriormente à minha saída aprofundaram o assunto. Mas, é óvio que a Gestão e Ordenamento do Território constitui a solução, não o Estado Fascistóide-Repressivo! A Cidade é um espaço comum com múltiplos utilizadores, cada um com as suas necessidades. E temos de partir do princípio, em Democracia, que todas elas são legítimas! Ora, deste modo, o que faz sentido é em primeiro lugar procurar saber o que faz com que as pessoas tenham necessidade de se deslocar. Dou-vos uma dica: enquanto o Concelho de Oeiras favoreceu nos últimos 30 anos a implantação de fábricas e de escritórios, o de Almada, por exemplo, ou o de Loures, quase não o fizeram. As zonas de lazer ou de comércio de Lisboa concentram-se ao longo dos mesmos eixos que constituem as principais artérias de comunicação, e o crescimento desenfreado de cidades-dormitório, com facilidade de acesso ao Centro atraem muitos milhares de pessoas para os mesmos locais. Muito recentemente, a Simonetta Luz Afonso e o manuel Salgado aperceberam-e de que a cidade deve ser gerida de acordo com o princípio do "Desenvolvimento integrado" que já existe há 35 anos e que as autoridades e os responsáveis têm sempre ignorado. É necessária uma política de solos coerente, e é necessária uma gestão cooperativa, mas centralizada dos Concelhos que compõem a área metropolitana. Só assim é que se pode esperar que daqui a 10, 15, 20 anos, existam nas proximidades dos locais de habitação, todas as funções urbanas que permitam reduzir as deslocações. Então poder-se-há andar livremente a pé ou de bicileta e ir trabalhar, fazer compras ou encontrar diversão num raio de 1 ou 2 quilómetros à volta de casa.

Até lá, em vez da repressão e do ódio, proponho que também vocês façam pressão para que sejam adoptadas, por exemplo, políticas como as biciletas de Paris (onde, não sei se sabem, a autarquia não dispendeu um cêntimo pois fez um acordo com a JCDecaux), ou Barcelona, onde além disso o Metro circula toda a noite aos fins-de-semana, reduzindo deste modo os acidentes devido ao álcool mas também o número de carros que circulam.

Pois, se se oferecer transportes alternativos às pessoas que têm NECESSIDADE de utilizar o automóvel para certos percursos, haverá menos dificuldade em estacionar e menos carros nos passeios, NÃO VOS PARECE? Se, por exemplo, passar a haver supermercados abertos até mais tarde ou mais mercados ou mini-mercados, quem tem de trabalhar e chega tarde a casa não precisa do carro para ir a correr fazer compras ao outro lado da cidade antes de vir para casa, por exemplo!

Por favor, dediquem-se a fazer pressão para políticas de facilitação, que sejam do interesse de TODOS, em vez de quererem fazer uma guerra disparatada e inútil.

Obrigado e fiquem bem.
JSM
Lisboa

A Colina do Castelo

Porque razão há tanto estacionamento selvagem dentro de uma Zona de Acesso Condicionado como a da Colina do Castelo?



Em virtude de se deixar entrar mais veículos automóveis do que o número de lugares de estacionamento disponíveis o resultado é o que mostram as duas fotografias tiradas hoje. O espaço público do bairro é diariamente violado pelos proprietários de automóveis.

A segurança dos peões do Bairro está muito fragilizada. O estacionamento em cima de passeios e passadeiras não para de aumentar. Os peões pouco mais podem fazer do que assistirem à usurpação do seu espaço e à destruição da sua segurança.


Já protestei diversas vezes pela falta de fiscalização do estacionamento nos arruamentos da "Zona de Acesso Controlado" mas nem a Emel nem a Polícia Municipal tomam acções relevantes. A CML e a Junta de Freguesia recusaram até hoje a instalação de pilaretes nos locais mais críticos.

Apenas a título de exemplo, envio fotografias de dois veículos que regularmente vejo estacionados em cima de passeios e passadeiras - por vezes durante 8 DIAS. Se houvesse fiscalização por parte da EMEL, ou da Polícia Municipal, estes automobilistas não repetiriam estas contra-ordenações graves.



Obrigado.



Com os melhores cumprimentos,

MJS

À porta de uma escola



Exmo. Senhor Presidente da Câmara de Lisboa:

Venho por este meio alertá-lo para as passadeiras da ESCOLA DAS OLAIAS.

A imagem que envio mostra o cruzamento da R. Prof. Mira Fernandes com a R. Dr. Faria Vasconcelos.

Pergunto-lhe: os alunos, os idosos a caminho da Farmácia, pais com carrinhos de bébé, por onde devem circular?

Na estrada? Devemos encolher a barriga e levantar os sacos das compras por entre os carros?

Ou simplesmente descer ou subir a rua sempre no meio da estrada?

Que segurança é esta para os peões?

Devemos tolerar os automobilistas sem respeito pelos direitos elementares das pessoas?

Por favor, pedimos-lhe que mande instalar pilaretes em toda a curva destes passeios.

A Junta de Freguesia do Beato tem vindo a ser alertada para este problema desde 2007.

Apesar disso, RECUSA colocar os pilaretes argumentando que há falta de espaço para os carros.

Pergunto-lhe: e a falta de espaço para os peões é argumento menos importante?

A selvajaria irá continuar à porta desta escola de Lisboa até que um dia um aluno seja atropelado?



Agradeçendo toda atenção dispensada, apresento os meus melhores cumprimentos,

LAS

Custo Zero


Um exemplar do livro «Grandes Invenções» (de Egon Larsen) será enviado ao primeiro leitor que explique o porquê da diferença entre estas duas situações (em termos de Passeio Livre, evidentemente).
As fotos foram tiradas no mesmo dia da semana, sensivelmente à mesma hora, e, embora de ângulos diferentes, reportam-se ao mesmo local.
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Actualização: tem alguma razão de ser a observação do leitor que se queixa da atenção - a seu ver exagerada - dada a este pequeno paraíso do estacionamento selvagem. Mas o motivo que levou a fazê-lo explica-se facilmente:

Como se sabe, e mesmo que as autoridades actuem, dificilmente o conseguirão fazer com a frequência necessária para que a punição se converta em dissuasão. Até ver, só um impedimento físico (pilarete ou equivalente) é que consegue evitar, a 100%, o estacionamento em cima dos passeios.
E foi para o provar que um nosso leitor colocou, já há vários dias, o velho pino que se vê na foto de baixo e que, dentro das suas modestas possibilidades, tem conseguido resultados infinitamente melhores (e a custo zero...) do que uma legião de agentes policiais e fiscais da EMEL.

Assim sendo, entendeu-se que a iniciativa devia ser divulgada antes que alguém tirasse de lá o precioso objecto, até porque poderá servir de sugestão (e encorajamento) para que a acção seja repetida noutros locais onde o mesmo problema se coloca. Um bom tema de discussão, aliás.