Na terra das Leis-da-Treta

A IMAGEM de cima mostra dois veículos, ambos em infracção: um porque está em cima do passeio, e outro porque está fora da zona legal de parqueamento. A questão é: supondo que um fiscal da EMEL passou por ali, qual deles multou? A carrinha? O Smart? Ambos? Nenhum?
A resposta será aqui dada, em breve, com a afixação da foto original.
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(Solução)

Começando por algum lado...



ANTES DE MAIS, esclareça-se que a foto de cima e a de baixo (à esquerda) foram tiradas em dias diferentes, pelo que os jipes podem ser o mesmo - ou não. Dito isso, repare-se que ambas as imagens mostram situações de infracções na mesma zona, e que ali se vêem quase todos os dias: a utilização abusiva de um espaço para deficientes (a de baixo), e uma roda em cima do passeio (a de cima).
Seja como for, parece que a situação vai entrar nos eixos, pois - finalmente! -, houve um deles que levou a multa que se vê...

Se querem passeios... vão passear!

Passeio Preso
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Passeio Rural
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PARA UM PEÃO, ainda pior do que se deparar com passeios obstruídos é nem sequer ter direito a eles.
As fotos são de ontem (tiradas na Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa), mas podiam ser do mês passado ou de há um par de anos - a única diferença talvez fosse a cor da relva...

O risco de andar distraído nos passeios de Lisboa

Público 28.10.2008, José Vítor Malheiros

"Tolerância Zero para o estacionamento em cima do passeio ou em segunda fila" foi uma promessa de António Costa. Não sei exactamente há quanto tempo, mas já foi há anos a primeira vez que um automobilista me buzinou, a mim, peão, para que eu me afastasse do lugar onde estava (de pé no passeio, na Praça do Areeiro, em Lisboa) porque ele, automobilista, queria estacionar o seu carro ali, onde eu estava parado, no passeio. Eu estava no caminho, a atrapalhar, e ele deu um toquezinho de buzina, só para me avisar que ele queria ir para ali, precisamente para aquele sítio onde eu, peão, estava, no passeio, a atrapalhar.

A
partir daí, as coisas não pararam de... como dizer?... de "evoluir"?

Os carros foram invadindo os nossos passeios, em geral estreitos, em geral esburacados, já ocupados selvaticamente por sinais de trânsito, caixas da EDP, semáforos, postes de electricidade, candeeiros públicos, sinalizações diversas, caixotes de lixo, parquímetros, etc.
A esmagadora maioria dos nossos políticos nunca deu por isto - incluindo os presidentes das câmaras - porque há muitos anos que não anda a pé. Têm motoristas com ordens para não respeitar os limites de velocidade porque eles estão a tratar de coisas importantes que não podem esperar. Andar a pé é para os pobres e eles, graças a Deus, não são pobres. Ou já não são - graças a Deus. Fica bem dizer na televisão que vão "devolver os passeios aos peões" mas no fundo nem sequer percebem qual a necessidade, porque afinal os peões conseguem contornar os carros ou ir para a estrada se for preciso, não é? É verdade que os velhos têm menos mobilidade, mas mesmo esses até ficam mais bem servidos (os políticos dizem "melhor servidos" porque já não são pobres mas a educação nem sempre fica muito bem colada às meninges) se andarem na estrada pois toda a gente sabe que a calçada "portuguesa" se gasta e fica escorregadia.

Devíamos estabelecer, como parte obrigatória de todas as campanhas autárquicas, percursos que calcorreassem a cidade, a ser realizados por todos os candidatos, em três modalidades: a) a empurrar um carrinho de bebé, b) com dois sacos de compras e um guarda-chuva nas mãos e c) em cadeira de rodas. Não para os castigar, mas para que aprendessem. Trata-se de situações que muitos milhares de cidadãos experimentam todos os dias.

A "evolução" dos carros no passeio levou a que, há dias, um amigo meu tenha sido atropelado. Atropelado por uma camioneta quando estava... no passeio.

A camioneta estava estacionada no passeio (parece que era um sítio mesmo bom, à sombra e tudo), decidiu fazer uma manobra e zás, atropelou o meu amigo, que teve de receber tratamento no hospital.

Há vários pormenores picantes: um deles foi o comentário de um dos ocupantes do camião, que disse ao atropelado que a culpa tinha sido dele porque estava distraído no passeio (de facto, estava a tirar uma fotografia). O outro é o facto de a camioneta, de uma empresa privada, estar ao serviço da Câmara Municipal de Lisboa quando teve lugar o acidente. A mesma que é presidida pelo presidente que garantiu (9.ª das dez promessas de António Costa) que haveria "Tolerância Zero para o estacionamento em cima do passeio ou em segunda fila".

O estacionamento em cima do passeio é causa não apenas de um enorme incómodo mas de perigo. Quando se estaciona em cima do passeio (explico para benefício de presidentes de câmara), isso significa que se sobe para o passeio, que se desce do passeio e que, muitas vezes, se fazem manobras em cima do passeio (há desenhos que ilustram a versão on-line deste texto para mais fácil compreensão). E é, para além disso, um sinal de desrespeito dos outros e da lei. Quem estaciona no passeio acha que a lei pode ser ignorada, que a polícia pode ser gozada e que um presidente da câmara não sabe contar até nove. Sabe? Jornalista (jvm@publico.pt)

O carrinho e o carrão

2 Set 09
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16 Set 09
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OS PEQUENOS partidos (e movimentos) têm-se queixado, porventura com alguma razão, que não lhes dão a devida atenção na Comunicação Social. Estes dois (mms e MEP) talvez procurem, em compensação, espaço nos blogues que lutam por passeios livres. Se é isso, não há dúvida que estão no bom caminho!

«Estaciono no passeio porque não há parques!»

Av. República - Lisboa
16 Set 09

Alta escola!

Subindo o passeio...
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... fazendo o pisca e metendo a marcha-atrás...
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... pronto, lição terminada!
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HÁ DIAS, mostrou-se aqui um destes automóveis estacionados neste passeio. Ao contrário do que poderia pensar uma pessoa de boa vontade, não se tratava de uma excepção nem de uma situação de recurso em hora de aperto. Nada disso! Aquilo é usado como parque de estacionamento, e até é possível assistir a alunos a aprenderem como se estaciona em cima do passeio...
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NOTA: as fotos são de ontem à tarde, tiradas na Praça de Alvalade, em Lisboa. Do outro lado , uma fiada de carros estava devidamente multada pela EMEL - e muito bem, pois a lei fez-se para ser cumprida!

Apelo aos leitores - reunião com a CML

Aos Cidadãos que gerem o Blog Passeio Livre

Junto convite para sessão na próxima sexta-feira, que o Núcleo de Acessibilidade da CML endereça ao grupo de cidadãos que constitui o núcleo duro do blog Passeio Livre. Gostávamos muito de poder contar com a colaboração de um vosso membro. Fico ao v/ dispor caso seja necessário prestar algum esclarecimento.

Uma cidade para todas as pessoas… como? A Câmara Municipal está empenhada em tornar Lisboa mais acessível. O Plano Municipal de Acessibilidade Pedonal irá definir as medidas necessárias para eliminar as barreiras existentes, prevenir o aparecimento de novas barreiras, e mobilizar para o mesmo objectivo diversas entidades públicas e privadas. Para que o Plano seja eficaz, importa elaborá-lo de forma participada, desde o primeiro momento. É justamente para esse efeito que lhe endereçamos este convite. Na próxima sexta-feira, dia 18 de Setembro, vamos realizar nos Paços do Concelho (Sala do Arquivo) uma sessão de auscultação em que contaremos com a participação de cidadãos, organizações da sociedade civil e serviços municipais. Precisamos da sua contribuição para identificar problemas, prioridades e possíveis soluções para tornar o espaço público de Lisboa mais acessível. A sessão começa às 9h30 e acaba às 16h00. O almoço está incluído. À tarde, o Presidente da CML visitará os trabalhos.

Contamos consigo?

Com os melhores cumprimentos,
Pedro Homem de Gouveia

Caros leitores:

Em primeiro lugar, desejaríamos que esta reunião pudesse acontecer em qualquer cidade portuguesa. Acontecerá em Lisboa, dada a maior frequência de contribuições que recebemos deste concelho; talvez também por ser aquele onde a situação é mais gravosa. Estaremos presentes na reunião e tentaremos denunciar todas as situações que desde há vários meses temos vindo a expor no blogue.

Actuaremos em defesa do peão e da salvaguarda do seu direito a circular em conforto e segurança pela cidade e que é simultaneamente uma das formas mais autênticas de a conhecer.

Pedimo-vos, se possível, que nos apresentem algumas situações flagrantes de estacionamento crónico em Lisboa; casos que envolvam uma ou mais das seguintes situações:

- Passeios danificados por causa dos automóveis
- Estacionamento abusivo crónico
- Impossibilidade dos peões circularem no passeio e consequente deriva para a estrada
- Inexistência ou má sinalização de passadeiras
- Mau urbanismo e planeamento

Poderão escrever as vossas contribuições na caixa de comentários ou, usando o Google Maps presente na coluna do lado direito do blogue, acrescentar a área referida.

Na terra das Leis-da-Treta




Lisboa - Rua Braancamp - 11 Set 09
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AS CENAS que as fotos documentam repetem-se todos os dias mesmo à porta de casa de um senhor bem nosso conhecido. De quem se trata?

Ao primeiro leitor que der a resposta certa será atribuído um exemplar do livro Cidade Escaldante, de Chester Himes.