BARBÁRIE

«...ocupar todos os passeios junto à praia» «... mas quando se diz todos são todos»

«... reservar lugar para outros popós»

«... arranjar espaço para os concessionários»

«... fazer crer que realmente se pode andar alí de bicicleta»

«... e claro, estacionamento quanto baste para as festas da cidade... Nesta última foto, tinha momentos antes assistido a uma senhora a ir com o carrinho de bebé para a rua (onde o trânsito era ininterrupto) e logo em seguida a um bombeiro a empurrar um senhor de cadeira de rodas no asfalto. Infelizmente faltam as fotos para ilustrar as minhas palavras. Obrigado a todos, especialmente aos autarcas e à polícia por cumprirem o seu dever.»
«Um morador revoltado»

Duas notícias

Em 20 de Março, no Sol, lia-se:

Relatório de Segurança Rodoviária
Atropelamentos mortais estragam estatísticas

Em 2008 aumentaram as mortes por atropelamento dentro das localidades. É o índice mais negativo das estatísticas sobre sinistralidade que hoje foram apresentadas. Em contrapartida, morreram menos 27% de jovens nas estradas portuguesas


Hoje, no Público, lê-se:

Redução de mortos nas estradas nos últimos 20 anos é "progresso civilizacional incrível"

O ministro da Administração Interna apontou esta quinta-feira a redução do número de mortos nas estradas portuguesas, nos últimos 20 anos, como um "progresso civilizacional incrível", tendência que o Governo pretende manter durante os restantes meses de 2009.



O Passeio Livre nota:

Nenhuma referência, no Público, ao aumento de mortes por atropelamento.
Nenhuma referência ao grau civilizacional dos portugueses quando estacionam os seus carros. Nenhuma referência à mais do que provável relação entre a incivilidade dos portugueses que estacionam em cima de passeios e de passadeiras e o aumento de mortes por atropelamento nas localidades.

Novas Ligações

Foram acrescentadas duas novas ligações na barra da direita.

Estacionamento Selvagem em Lisboa , dedicado à capital, e Que se f* os peões , assim como o já ligado Wheels Versus Legs pretendem denunciar o flagelo da selvajaria anti-pedonal.

Porque usamos um autocolante? II

Mais um testemunho apanhado na net (e publicado com o devido consentimento) de quem tentou uma abordagem sem autocolante. Claro que estes testemunhos não invalidam a importância de falar com os abusadores e a polícia, apenas mostram o desespero que rapidamente atinge uma pessoa que tenta resolver o problema por meios menos ortodoxos.
Já me aconteceu uma situação semelhante e que por pouco não descambou em pancadaria. E no meu caso, a balança da força muscular pendia para o meu lado, não só porque o meu oponente não oferecia grande ameaça (aparentemente) mas também eu estava com o meu irmão.
No entanto, aquilo que mais me chocou foi este homem estar com a família: 2 crianças pequenas e a mulher (que também mandou umas bocas). Não tenho filhos mas imagino que se os tivesse, eu faria tudo para evitar uma cena daquelas à frente deles e, mais, como nunca se sabe como aquilo pode acabar, correndo o risco de os colocar em perigo. Sabia lá o homem se eu e o meu irmão não lhe mandávamos uma coça, violávamos-lhe a mulher e raptávamos-lhe os filhos!
Como optei por não deixar aquilo subir de tom, liguei para a polícia, à frente dele. A resposta do outro lado foi frustrante porque me responderam que não tinham meios.

Ricardo Ferreira

Porque usamos um autocolante?

Desde o lançamento do autocolante temos sido questionados e criticados por colarmos um autocolante em vez de abordar as pessoas e/ou chamar a polícia. Aqui fica um testemunho bem demonstrativo do que acontece a alguém que tenta isso mesmo.
(O texto foi apanhado na internet e nem sabemos se o seu autor concorda com o autocolante. Apenas serve de exemplo.)

Hoje tive uma situação desagradável com um jovem pai, dentro do seu SUV estacionado a ocupar todo o passeio. Vim a pé duma consulta no hospital, trazendo a bina à mão, e vou no passeio já de si estreito, ao lado duma via rápida, a Infante D. Henrique, perto de Cabo Ruivo quando me deparo com o carro completamente a bloquear o passeio e obrigando os peões a saírem para uma estrada muito rápida e depois voltar para o passeio. Ao aproximar-me vejo que o rapaz (pelos seus 30 e poucos anos, com uma criança dos seus 2 anos sentada atrás) opta por começar a ler o jornal numa tentativa óbvia de me ignorar). Eu fico um pouco chateado com aquele abuso, e opto pela via diplomática, dando um toque no vidro com a mão a pedir para ele abrir. O rapaz lá dentro era bastante grande, e de cabeça rapada, parecia um segurança de discoteca ou body-builder, eu tinha reparado nisso mas não queria que fosse esse o factor que me impedisse de lhe falar. Com calma expliquei-lhe que era chato obrigar as pessoas a contornar o seu veículo e irem para o meio da via rápida, o que se torna perigoso. Ele com ar bastante agressivo diz, "Mas porquê?Custa-lhe muito?" eu continuo, dizendo "A mim talvez não q sou jovem, mas pense o senhor em outras pessoas de mais idade ou assim", aí ele diz apenas "então saia daqui que eu não o conheço de lado nenhum, e se volta a tocar no vidro do meu carro eu dou-lhe ..." Apercebendo-me que o tom era de ameaça cobri as últimas palavras dele com um "tá bem tá bem.." (não as ouvindo no pormenor) e pus-me a andar, consciente que mais um segundo e ele tinha atirado com a porta ou algo no género.
Fiquei claramente perturbado, com a atitute de ocupar o passeio, a inefácia de tentar conversar civilizadamente e ainda mais com a ameaça física. Ainda fiquei a pensar se a minha abordagem teria sido a mais correcta e também fiquei a ponderar o que fazer caso esta situação volte a acontecer... devemos medir o tamanho da outra pessoa antes de fazer uma observação? Devemos simplesmente evitar todo o tipo de observação aos agressivos automobilistas de Lisboa? Ou se calhar tenho de ganhar mais coragem e continuar o diálogo, aguentando-me à bronca se ela chegar! :)

Miguel Ferreira

Mais uma da série "Falta de Opção"




APANHADOS EM FLAGRANTE* (4)

Rua Quinta das Palmeiras, Oeiras, 1/7/2009.
Este condutor entrou com o carro no passeio, circulou cerca de 40 metros em pleno passeio, deu a volta à palmeira, estacionou o carro onde quis e foi à sua vida. As primeiras duas fotografias mostram um lugar de estacionamento livre (e gratuito) ali mesmo ao lado... E na mesma rua, a uns 20 metros deste, contei mais de 15 lugares livres. Falta de alternativa? Ou falta de civismo?...

[*Série de fotografias tiradas a carros acabados de estacionar no passeio ou na passadeira e com alternativa de estacionamento a poucos metros. Para acabar de vez com o mito de que o estacionamento nos passeios se deve à falta de alternativa de estacionamento. É, em primeiro lugar, uma questão de MENTALIDADE]

Mesmo à porta


Quem aumentar a foto verá que o letreiro indica que aquela é a porta da Junta de Freguesia da Costa da Caparica

Opinião - quero ir às compras a pé posso?

Em relação à pedonalização das ruas cada vez que o assunto é abordado surgem na comunicação social opiniões contrárias ou fortemente reticentes de Associações Comerciais, do lobby dos automóveis, de Confedarações do Comércio , etc... (Comerciantes com queixas da pedonalização das cidades-PUBLICO-03.08.2009)

Ora o comércio consiste numa relação de troca de bens e serviços entre duas partes - o comprador e o vendedor. Ambas as partes são necessárias para que a relação comercial se processe.

O que temos assistido na comunicação social é a um "direito de antena" exclusivo aos comerciantes, ou seja à componente vendedora das transacções comerciais, que fala em nome da componente compradora - o consumidor, mostrando capacidade de adivinhar, sem bases científicas quaisquer, as preferências dos compradores apenas pelos números das vendas de alguns retalhistas.

Posto isto lanço a questão: as grandes superfícies não são elas próprias grandes zonas pedonais,livres de ruído, de ar poluído, de riscos de atropelamento ao atravessar as vias de uma loja para a outra? Porque é que não auscultamos mais as preferências dos consumidores, no que toca à actividade de fazer compras, para que possamos adaptar o comércio tradicional às suas preferências?



Talvez cheguemos à conclusão, como vemos no caso da Rua Augusta na baixa de Lisboa, que a pedonalização e requalificação das ruas dando prioridade aos peões é uma mais valia para o comércio tradicional, acautelando sempre a acessibilidade às zonas de comércio através das diversas formas de transporte, de uma forma integrada e coerente.


Mais direitos aos peões e mais zonas pedonais e de acalmia de tráfego, não implicam, como tem vindo a ser mencionado erradamente, uma quebra de competitividade do comércio tradicional, mas antes tornam as condições do comércio tradicional mais próximas das excelentes condições de circulação pedonal a que os compradores têm acesso nas grandes superfícies - é esta a experiência que tenho constatado nas cidades europeias com maiores indíces de qualidade de vida e satisfação do seu tecido social e comercial.

Deixo o desafio - que as entidades associativas que defendem o comércio tradicional se preocupem, com o mesmo determinado empenho que revelam em relação à questão dos automóveis, em modernizá-lo em termos de imagem, de qualidade dos bens e serviços oferecidos, de diversidade e preços competitivos.



Nuno Xavier

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Ferro-velho







Este carro, já sem retrovisor, com o farol partido, a cair aos pedaços, jaz, há mais de 4 meses, em cima do passeio da Rua Nossa Senhora do Egipto, em Sto Amaro de Oeiras. É, além de tudo, um indicador preciso da prontidão com que a Câmara e a Polícia reprimem o estacionamento selvagem em Oeiras.

Um problema cultural

Sexta-feira tive a surpresa de encontrar a brochura "PSP - Portugal, Safer Place" no posto de turismo da minha cidade.

Basicamente é um folheto em inglês francês e alemão a chamar a atenção dos turistas para as precauções básicas para quem passeia na nossa terra de brandos costumes. Alerta contra carteiristas e assaltantes e como se pode ver na ilustração contra carros da polícia estacionados em zonas pedestres.

Infelizmente não arranjei foto de melhor qualidade nem encotrei versão digital na net, mas supostamente deve se arranjar este folheto em todos os postos de turismo do país, já que até está referenciado no site da PSP.