Carta ao Presidente António Costa

Publicamos, de um leitor identificado, a seguinte e pertinente missiva. Os sublinhados são nossos. Esperamos que mais leitores sigam o seu exemplo. Claro que não há qualquer garantia da sua leitura pelo destinatário; a cidadania não está preocupada com o prazo da sua efectivação. Deve começar por apontar o que está totalmente errado.

Exmo. Sr. Dr. António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,

As eleições estão à porta e confesso que estou indeciso em quem votar nas próximas eleições autárquicas. Porém, tenho uma certeza. V.ª Ex.ª pouco ou nada fez relativamente a um problema que considero dos mais prementes desta nossa cidade: a impunidade do estacionamento selvagem.

É ver todos os dias por essa imensa Lisboa centenas de viaturas em cima dos passeios e passadeiras, impedindo a livre circulação de peões, nomeadamente, os de mobilidade reduzida, como invisuais, deficientes e idosos. Os carros devem estacionar na estrada e os peões devem circular no passeio, ou estarei enganado? É difícil perceber que o estacionamento sobre os passeios ou nas passadeiras constitui uma violação de um direito básico dos peões e um perigo grave à sua integridade física, uma vez que são obrigados a caminhar na estrada para se desviarem dos carros mal estacionados?

Já viajei por vários países europeus e em nenhum deles, nem mesmo na Europa de Leste, assisti a carros estacionados da forma como vejo aqui em Lisboa. Uma verdadeira vergonha para os milhares de turistas que nos visitam. Nesta matéria, estamos certamente ao nível dos países africanos.

A Polícia Municipal é de uma ineficácia indiscritível e nem se dignam a responder quando se enviam mails a denunciar situações graves. A EMEL anda entretida a multar os carros que não possuem ticket ou que já estão a exceder o limite de tempo de estacionamento, esquecendo-se dos que verdadeiramente incomodam terceiros.

O facto é que compensa estacionar fora das zonas com parquímetro, em cima de um qualquer passeio ou passadeira, pois muito dificilmente será aplicada qualquer coima, sobretudo se se ligar os quatro piscas durante duas horas, como já tenho presenciado. Também sou condutor e para ser franco, não entendo qual é o problema de autuar os infractores, fazer cumprir a lei e devolver a cidade aos cidadãos, como V.ª Ex.ª tanto defende.

Por mero acaso, descobri um site na internet que ilustra bem o que acabo de referir, assim como demonstra que não estou sózinho nesta preocupação. O site é http://passeiolivre.blogspot.com.

Já agora e para terminar, gostaria de saber quais as medidas que tenciona adoptar para dar execução à Carta dos Direitos dos Peões, aprovada por unanimidade em 2007? Dê-me um sinal de que vale a pena confiar em si e terá o meu voto no próximo dia 11 de Outubro.

Com os melhores cumprimentos.

Évora

Apesar de ter chegado há poucos dias, publicamos esta contribuição de imediato. O motivo? A estreia da principal cidade do alto Alentejo, Évora, no Passeio Livre. Gostamos de pensar que o seu centro histórico está a salvo destas situações.
Antes de mais, gostaria de felicitá-lo pelo blog.

Envio em anexo duas fotografias da mesma rua em Évora. Não sei o que é pior nas duas situações se são os carros estacionados no passeio ou os automóveis estacionados nos lugares reservados para as ambulâncias.

Chego à seguinte conclusão: em Évora não se pode andar a pé nem ficar doente.

Cumprimentos.



Odivelas











Bom dia,
Junto, envio, em anexo, mais umas fotos, estas tiradas hoje de manhã com o recurso a telemóvel.
O local? Odivelas.
Todos os dias é isto!
Ontem falei com a PSP, que me disse que os multava, que não ia falar com a Camâra, que pouco mais podia fazer. Ali fiquei com cara de otário no meio da rua. Claro que o sr agente se foi embora sem os multar.
Bom trabalho

Estacionamento junto à Estação da CP Carcavelos



«Bom dia, Venho por este modo denunciar o que se passa nas ruas em redor da Estação da CP Carcavelos e solicitar uma acção definitiva em relação ao assunto. Os passeios são diariamente invadidos por carros e a maior parte apresenta sinais claros de destruição. A situação ainda é mais grave porque existe um grande parque de estacionamento junto à Estação, o qual se encontra practicamente vazio. Ora da última vez que eu verifiquei, destruição de património (passeio) por si já é um crime punível pela lei. Se juntarmos a isso a trangressão ao código da estrada, ficamos com uma situação que (sendo conhecimento da Câmara há muito tempo), continua inexplicavelmente a existir. Se as tarifas de estacionamento são elevadas, os senhores condutores têm várias soluções: Reclamam junto da CP, assumem de uma vez por todas que de qualquer modo fica mais barato do que ir de carro para o seu destino ou então deslocam-se de bicicleta (como eu) até à Estação. A desculpa dos desníveis até nem pega aqui, porque Carcavelos é relativamente plano.»
Contribuição de um leitor, 19Jun09

Novidades

1) A nova fornada de autocolantes já está impressa e aguarda pelos pedidos dos leitores. É importante todos passarem a palavra!

2) Várias reacções à pedonalização de ruas (Almada) e a um novo plano tarifário da EMEL (Lisboa). Assinalamos as reacções com a certeza de que a ela regressaremos para proceder à leitura de uma nova forma de pensar as cidades e o peão.

3) Graças a uma leitora, tomámos conhecimento da Carta Municipal dos Direitos dos Peões para Lisboa, datada de 2007. Um documento a ler por todos.
4) Nas várias contribuições que nos são mandadas, costumamos recomendar a prossecução de uma queixa oficiosa para o endereço das autoridades. Relembramos que o envelope
que consta de todas as publicações, permite o envio imediato das fotografias para os endereços das Câmaras Municipais, freguesias e autoridades. As nossas desculpas aos leitores de outras autarquias mas para já adiantamos a página dos vereadores de Lisboa com os respectivos contactos; denúncias, sugestões e exigências relacionadas com a falta de liberdade do peão nesta cidade deverão constituir uma exigência natural de todos os cidadãos.

SÃO Francisco - EUA



A public service video from the Lighthouse for the Blind paid for by a mini-grant from the San Francisco Dept. of Public Health

Falta de Opção?




APANHADOS EM FLAGRANTE* (5)


Rua Quinta das Palmeiras, Oeiras, 8/7/2009. Passou pelo lugar vago (e gratuito) que se vê na fotografia, ignorou-o e estacionou cerca de 15 metros depois, em cima do passeio. Além deste lugar, havia, na mesma rua, por onde este carro passou, mais de 20 lugares livres. Cheguei a pensar que esta alminha tivesse estacionado para ir à farmácia ou ao banco, mas não: entrou num prédio, e 15 minutos depois o carro ainda aqui estava... Falta de alternativa? Ou falta de civismo?...


[*Série de fotografias tiradas a carros acabados de estacionar no passeio ou na passadeira e com alternativa de estacionamento a poucos metros. Para acabar de vez com o mito de que o estacionamento nos passeios se deve à falta de alternativa de estacionamento. É, em primeiro lugar, uma questão de MENTALIDADE]

Da série "o passeio como extensão da minha casa"







Rua da Indústria, em Alverca do Ribatejo:
Os proprietários desta garagem transformada em armazém, num prédio de habitação, têm não só o desplante de estacionar a sua carrinha no passeio, ocupando toda a largura do mesmo, como as imagens documentam, mas também o de reservar este "lugar", afixando a matrícula na porta, junto ao sinal de proibição de estacionamento.

Torre de Belém


«O acesso à Torre de Belém, como toda gente sabe, é zona de «trânsito proibido».
O que se tem passado nestes dias é que a corrente que usualmente veda a zona não se encontra no seu lugar, a fim de permitir o acesso de viaturas afectas às obras que se encontram a decorrer.
É claro que o bom português, quando não vê lá a corrente, mesmo estando o sinal de transito proibido, lá vai enfiando o carrinho até mesmo à porta do Monumento Nacional (entrar com o carro dentro da Torre de Belém é um bocado mais difícil).
Agora o caricato da coisa, andava eu a passear de bicicleta na zona, quando vejo chegarem dois agentes da PSP, nas suas belas motas. Pensei: agora é que vai ser!
Mas… não aconteceu nada!
Os agentes estacionaram as motas junto dos demais prevaricadores e lá ficaram. Ainda pensei que estivessem à espera dos respectivos condutores, para os autuarem na sua presença, pois burocraticamente as multas são mais fáceis de processar se tiverem logo os dados dos condutores; mas não, os carros continuavam a entrar e a sair livremente, como se tal fosse permitido e os referidos agentes... em amena cavaqueira.»
Contribuição de um leitor

Rua da Mouraria



«Não podia deixar de vos enviar este exemplo da «institucionalização dos abusos» na Rua da Mouraria, que é suposto ser um arruamento pedonal!
Mas há mais! Se repararem bem, estes convenientes lugares de estacionamento numa rua pedonal, e encostados à Igreja de Nossa Srª da Sáude (Imóvel classificado!), são para uso exclusivo da Junta de Freguesia do Socorro!
O mal está mesmo muito enraizado.»
Contribuição de um Leitor, 17Jun09