Largo? Que largo?


Isto era o Largo da Igreja de Oeiras. Há cerca de um ano, foi rasgado por uma estrada. Não há nenhum desnível entre a estrada e o resto do (ex)-Largo. O trajecto dessa estrada é apenas sugerido pela cor (mais escura) das pedras (um cego nunca saberá se está dentro ou fora da estrada). É por ela que os carros chegam para fazer do (ex)-Largo (a exemplo do resto dos passeios da vila) mais um estacionamento municipal gratuito de Oeiras. Com a vantagem de não terem de subir qualquer degrau.

Postais Lisboa Séc. XXI

Nem imaginam como fiquei contente de saber que vcs existem hoje no publico.

Há já muitos anos que tiro fotografias de carros mal estacionados
principalmente em Lisboa... Tenho uma colecção invejável!

Vou já imprimir autocolantes e começar a luta!

Estou disponível para colaborar com o que for necessário.







Obrigado caro leitor pelas 28 fotografias! Aqui estão só algumas...

Novos Usados Automóveis - Mal Estacionados


Contibuto de um leitor de Lisboa

Quantos auto-colantes podem ser vistos nesta fotografia?


Resposta certa: 2 (dois)

Um é de papel, não impede ninguém de fazer o que quer que seja, e é removível. O outro, o auto-(supostamente)-móvel, está imóvel, colado ao passeio, atrapalha ou impede a livre circulação de peões, estraga os passeios, e nada - a não ser quem o lá pôs ou, teoricamente, a Polícia - o pode remover.

Enquanto isso, na Cidade Universitária, em Lisboa


As fotografias aqui expostas foram enviadas por um nosso leitor, com um e-mail a detalhar a situação, ao Comando da Polícia Municipal de Lisboa.





Só mudam as marcas e os modelos.

Pilaretes, porque vos amo!


Foto encontrada num site de partilha on-line. (Flickr)

Esta é para desenjoar!

Zona Pedonal de Almada





Fotos enviadas pelo Movimento Almada Pedonal.

Para quem não conhece, toda esta zona é suposta ser pedonal como a Rua Augusta em Lisboa, ou a Baixa de Coimbra.

Nem os pilaretes nos valem!

CAROS,
PARABÉNS PELO MOVIMENTO DE DEFESA DOS PEÕES!
AQUI VAI O MEU CONTRIBUTO: UM (MAU) EXEMPLO NA FREGUESIA DE S. MAMEDE.

PEÇO QUE INSTALEM MAIS PILARETES NOS PASSEIOS DA
TRAVESSA DO NORONHA E ARRUAMENTOS ADJACENTES COMO A RUA GUSTAVO DE MATOS SEQUEIRA, RUA DO ARCO A SÃO MAMEDE, ETC.

SE SOUBESSEM O MARTÍRIO QUE PASSO PARA IR, A PÉ, DE CASA ATÉ AO JARDIM DO PRINCIPE REAL OU AO LG DO RATO COM UMA CRIANÇA!

ASSIM NÃO É POSSÍVEL SER PEÃO. É MAIS FÁCIL IR DE CARRO! SERÁ QUE É ISSO QUE A CML PRETENDE? QUE EU FAÇA DE CARRO PERCURSOS DE 100 METROS?
ONDE ESTÁ A TOLERÂNCIA ZERO PROMETIDA PARA O ESTACIONAMENTO NOS PASSEIOS?
POR AQUI ESTÁ TUDO PIOR. ATÉ OS POUCOS PILARES QUE TEMOS SÃO DERRUBADOS.


QUERIA SABER PORQUE RAZÃO NÃO SE INSTALAM PILARETES NA TOTALIDADE DOS PASSEIOS? PORQUE SE INSTALAM APENAS EM ALGUNS PONTOS? DE NADA ADIANTA PARA A NOSSA MOBILIDADE TER UM PILARETE APENAS EM FRENTE À PORTA DO EDIFÍCIO ONDE VIVEMOS SE O RESTO DO PASSEIO DA RUA É DEIXADO LIVRE PARA SER INVADIDO DE CARROS.

MUITO OBRIGADO

SANDRA SILVADO

Uma leitora exaltada de Lisboa! Veio tudo em maiúsculas!

Se não houvessem condutores a estacionar no passeio, os pilaretes não ajudariam em nada os peões. Mas pelos vistos parecem ser necessários ao ponto de se suplicar por eles!

E quando pensava que já se tinha visto tudo...

Exmo. Senhor Dr Francisco da Cruz dos Santos

Presidente da Câmara Municipal de Beja,

Venho por este meio alertar a CMB para o uso indevido da entrada de um Monumento Nacional como parque de estacionamento.
É inaceitável que a entrada de um monumento classificado como de importância nacional - o antigo Hospital da Misericórdia na Rua D. Manuel I - apresente a sua Portaria frequentemente invadida por viatura automóvel.
Quero salientar que esta Portaria integra ainda uma abóbada manuelina de dois tramos com bocetes decorados com os símbolos primordiais de D. Manuel - o escudo, a esfera armilar e a cruz da Ordem de Cristo. Embora a obra tenha sido iniciada em 1469 foi o rei D. Manuel que concluiu o equipamento entre 1490 e 1511.
Utilizar a entrada deste monumento nacional como parqueamento automóvel é uma grande falta de respeito pelo património que é de todos.
A situação é tanto mais grave porque estamos perante um edifício muito raro. Restam poucos imóveis hospitalares do tempo do rei D. Manuel I. A cidade de Beja tem o privilégio de ter um imóvel deste valor mas, infelizmente, não parece estar a ser devidamente respeitado.
Esta situação também projecta uma péssima imagem de Beja aos turistas que nos visitam.
Envio em anexo fotografia do que acabei de descrever. Penso que a imagem é esclarecedora.
Solicito a sua maior atenção para este tipo de problemas que ainda ocorrem no centro histórico de Beja.
Muito obrigado.
Com os melhores cumprimentos,

F.J.

Recebido por um leitor de Beja.

Aproveitamos para agradecer todas as contribuições. A nossa caixa de e-mail está repleta de postais de cidades que não queremos devido às inúmeras fotos enviadas pelos leitores. Continuaremos a divulgar todas as situações.

Obrigado.

Estou cansado de andar, vou-me sentar um pouquinho.



Foto no Porto.

Contribuição de um leitor


este stand utiliza todo o espaço em frente como extensão para exposição dos seus carros. Dois pormenores deliciosos: o sinal de proibido estacionar nos vidros de forma a que ninguém lá estacione senão eles e o facto de estar naquele largo durante todo o dia um polícia, pois ali é o Pingo Doce de Sassoeiros.
Há dias dei-me ao trabalho de chamar a atenção ao senhor "agente da autoridade" para o facto de (como é costume) estar um carro estacionado na vaga de deficientes e o senhor ficou a olhar para mim atarantado e apenas esboçou um "hummm". Pois é, esqueci, a autoridade ali é o arrumador de carros.
Não sei se isto é parte de Cascais ou Oeiras, mas como é meu costume, envio um bcc para as respectivas autarquias.

Post de alguém que já mudou

Bom dia. Fui hoje de manhã, prendado com um autocolante, colocado no vidro da porta do meu carro. Depois de uma primeira sensação de insatisfação, interrogando-me, quem seriam os “atrasados mentais”, que teriam colocado o panfleto, vejo-me agora compelido a escrever e a apoiar a vossa iniciativa. É um modo curioso, original e eficaz, pois apela ao civismo daqueles que (como eu) utilizam e abusam, de um espaço que não é deles. Parabéns




[Nota de um dos editores do passeio livre: Estas mensagens são verdadeiramente gratificantes. A mudança de comportamento enaltece o automobilista. Obrigado por nos contactar.]

Post de alguém que começa a mudar

Ora aqui está um blog que gera multiplas reacçoes...
Quando o consultei tive medo de ver o meu carro por lá... felizmente que nao o vi...
A verdade é que sobrepomos sempre a nossa pressa, ou a nossa urgencia, a algum civismo que deveriamos ter.
Faz falta algum bom senso em varias situaçoes, e o estacionamento é sem duvida uma delas.
Sendo eu um utilizador compulsivo de carro e um estacionador abusivo por vezes, tento sempre ter algum cuidado em nunca impedir a passagem... mas a verdade é que só penso como condutor e nunca como peão, que por vezes tem dificuldades em andar...

...vou ter mais cuidado. espero que tenham também!

(post encontrado num blog, que fazia referência a este)

Carta de um anónimo

Um leitor (anónimo, por sinal) chamou-nos de cobardes por nos mantermos anónimos. Se cobarde é quem tem medo, sou cobarde. Tenho medo - não das consequências legais de colar os autocolantes (a PSP já veio esclarecer que não há nisso nenhum crime) mas das ilegais. O meu medo é de que algum desses rapazes que (cito João Paulo Guerra) "fazem do popó a extensão do seu ego" - ego muitas vezes mais musculado do que o meu, já entradote e meio careca - me agrida. Mas ensinaram-me que cobarde não é quem não tem medo e sim quem não o enfrenta. Daí a pôr o meu nome aqui... além de tudo, para quê?

Ora cá está um clássico: Aproveitando a entrada para uma garagem (o passeio tem rampinha e tudo), estaciona-se em cima do passeio, paralelamente à passagem. "Não prende" e se o passeio fôr largo - como neste caso - até dá para dois.

Do lado de cá, a câmara já pôs uns pilaretes. Quanto dinheiro se pouparia em pilaretes se não houvesse a cultura de estacionar em cima do passeio?

carta de um leitor/militante

Por que colo.

Li aqui o seguinte comentário de um leitor: "detesto visceralmente a justiça pelas próprias mãos, mas, neste caso, não posso deixar de vos dar razão". Digo eu: detesto visceralmente a justiça pelas próprias mãos e, por isso mesmo, assinalo, com um autocolante, os carros cujos condutores estacionam de maneira selvagem. O que pretendo com isso não é fazer justiça - até porque as penas a aplicar, se fosse esse o caso, seriam muito mais graves do que uma mancha de cola de remoção tão fácil (e menos repugnante) quanto a dos dejectos de algum pássaro (que têm ainda a desvantagem de cair, indisciminadamente em carros mal e bem estacionados). O que pretendo não é fazer justiça pelas próprias mãos, repito, mas precisamente combater a lei da selva - que não é senão o regime em que impera a justiça pelas próprias mãos. O autocolante foi a melhor maneira que encontrei para denunciar, de maneira civilizada mas veemente, as duas maiores carências nessa matéria: de civilidade dos condutores, em primeiríssimo lugar, e de acção das autoridades que têm entre as suas atribuições coibir a lei da selva.

O protesto de uma condutora de Campo de Ourique

Caro "Peão Exaltado",

Ontem cheguei ao meu trabalho as 9h da manhã. Saí do mesmo às 23h, com uma hora de almoço. Um grau de felicidade relativo que ao "caro peão exaltado" nada interessa. Cheguei a campo de ourique às 24h00. Por volta da uma da manhã rendi-me ao inevitável, o único sítio onde o carro caberia era numa passadeira. Hoje, as 9h00 da manhã encontrei um fantástico autocolante, no vidro da frente, exactamente em frente ao lugar do condutor. Tive durante 20 minutos a tentar tirá-lo. Não consegui. Cheguei atrasada.

O caro peão exaltado, não terá muito a ver com isso, claro. Responsável que está e é por um movimento cívico que visa defender o pobre e inocente peão que, coitado, tem que se desviar 1,5 metros.

Não tinha conhecimento deste blog nem da forma de funcionamento, se tivesse teria tirado foto, para que o caro peão exaltado se pudesse debruçar com uma régua para medir à escala a quantidade de espaço livre que havia.

Mas, um movimento cívico é um movimento cívico que mais alto impera e a quem é indiferente a falta de civismo em colar autocolantes em viaturas que não são suas.

A nossa resposta

Olá S,

Agradecemos a sua mensagem. A nossa intenção é também gerar algum debate e por isso colocaremos a nossa resposta no blogue para que se gere a discussão.

A iniciativa Passeio Livre pretende afirmar-se como uma plataforma recíproca de alerta para o estacionamento abusivo e de distribuição dos autocolantes. Depois dos interessados nos requisitarem algumas cópias, a responsabilidade da colagem é individual.

Isso não significa que não reconheçamos a particularidade de cada caso. Tal como a S teve um dia cansativo e se esforçou para encontrar um estacionamento, há também casos extremos e recorrentes que não têm o seu civismo. Quando alguém vê um carro mal estacionado é claro que não vê os motivos ou a história do condutor. Tudo o que têm em comum é o facto de estarem em cima do passeio ou na passadeira.

Conheçemos bem Campo de Ourique. O problema de estacionamento é crónico apesar de haver um parque de estacionamento vazio. Só que quem tem carro não está preocupado nas lesões colectivas que provoca. E são várias. No caso dos peões, o seu espaço público é invadido. A S, até se ver confrontada com um autocolante colado na sua viatura, saberia que era só difícil estacionar. Não sentia que estivesse a cometer uma invasão. O que pretendemos é delimitar e esclarecer a fronteira entre o espaço viário e o espaço pedonal. Quem tem de resolver a falta de estacionamento são os automobilistas e a autarquia. Não quem tem o seu espaço invadido. Não é o nosso problema.

Para terminar, uma definição de civismo. A S considera que estamos-lhe em falta por colocarmos autocolantes em propriedade alheia. Nós consideramos que estas acções podem modificar comportamentos selvagens. Têm por isso mais prioridade. Além de que é falacioso porque não danifica. É um apelo ao bom-senso e a exigência de mais qualidade de vida. A indiferença e ausência de sentido crítico, estes sim, são os verdadeiros inimigos duma sociedade que se quer participativa.

Os nossos melhores cumprimentos

Estracionamento em dias de futebol ????









Caros amigos,

Fazendo, também, minha a indignação pela falta de civismo, e porque não falta de educação, de quem se acha superior por ter nas mãos um volante de automóvel, envio algumas fotos, não recentes, mas que foram objecto de reclamação à CML e Polícia Municipal bem como PSP sem que daí resultasse nenhuma acção que pusesse termo a este abuso.

De facto desde 2006 que venho reclamando e recebendo E-mails da CML, dos vários departamentos que deveriam coordenar estas políticas urbanas, e são muitos, mas até ao momento nada foi feito.

Os pobres jardins são completamente vandalizados como podem observar.

Estarei atento e enviarei fotos mais recentes de próximos jogos de futebol onde parece que tudo é permitido, excepto se for há volta do estádio e aí sim há polícia para ordenar o trânsito.

Um dia a casa vem abaixo…

(opinião de um leitor)




O "jeep" é da Polícia Florestal.

A lei é a da selva.

LEGALIDADE

A agência LUSA ouviu a Polícia Municipal de Lisboa e a PSP sobre as implicações legais da nossa acção: "Enquanto fonte da Polícia Municipal de Lisboa disse à Lusa que poderá estar em causa um crime semi-público de dano, dependente de queixa, a PSP considera que ´a simples colocação de um panfleto num veículo automóvel estacionado na via pública não confere, por si só, um crime de dano`.´Para um proprietário de um veículo apresentar queixa por dano, só se o papel/autocolante colocado no vidro, inequivocamente, destruir, deformar, alterar o vidro do automóvel ou o local onde foi colocado, e se houver dolo (intenção de produzir o efeito de dano) na sua colocação` explicou a PSP.

E estas riscas brancas no chão servem para quê?


Este/esta condutor/a descobriu um lugar onde não se paga parquímetro, na Baixa, próximo do Banco de Portugal.

Esteve lá pelo menos das 10h30 às 15h30. As horas em que passei por lá.

Esta é a mobilidade em Oeiras.

Imagem 1 : Transgressão dupla (passeio + via de bicicletas)



Imagens 2 e 3 : Veículos ocupando a totalidade dos passeios (Praçeta Fernão Lopes). Isto acontece em TODA a extensão do largo mais a rua adjacente, todos os dias, durante todo o ano.
Pois, eu sei, a desculpa: é os edifícios não têm estacionamento
próprio. Os peões não têm culpa disso. O único culpado é a autarquia que permite a construção de edifícios sem garagem.
[nota: o verdadeiro culpado de colocar o carro em cima do passeio é só um: quem o colocou lá. não compactuamos desculpabilizações de quem comete um abuso desta ordem. querido Carlos André: não nos cabe a nós como peões resolver um problema de falta de estacionamento que não é nosso.]




Cumprimentos,
Carlos André
(Oeiras)

Opinião do leitor

Como Lisboeta, automobilista e cidadão participante deste nosso país, venho felicitá-los por esta iniciativa que subscrevo inteiramente.

Presentemente moro num dos poucos bairros onde existe espaço de sobra para estacionar(bairro de Sta. Cruz de Benfica), no entanto os meus vizinhos e frequentadores do café do meu prédio insistem em estacionar os automóveis no passeio. Certa vez abordei dois agentes da autoridade sobre esta questão e eles afirmaram que até tinha razão, mas que se fosse perguntar à maioria dos moradores eles não achariam esta situação abusiva(!).

Pergunto-me com que legitimidade se passam multas em certas zonas da cidade e noutras não, será que a lei se aplica só em certas zonas? já agora gostava de saber quais...

Daniel Filipe (Sta. Cruz de Benfica, Lisboa)

Vais de carrinho!

«Vais de carrinho!»

(carta de um leitor)

HÁ UM JOVEM QUE, todos os dias e ao pé da minha casa, estaciona impunemente o seu carro em cima do passeio, tendo o requinte de o fazer na passagem de peões. Por causa disso, assisti recentemente a uma cena confrangedora: um idoso, de cadeira de rodas, pretendia passar e não podia.

Juntaram-se muitas pessoas, gerou-se burburinho, e eu ofereci-me para chamar o reboque. Mas o paraplégico opôs-se:

- Não se incomode, cavalheiro. O idiota há-de aparecer.

Não me conformei, argumentando que pelo menos os famosos «bloqueadores» tinham ali uma boa oportunidade de fazer justiça!

Estávamos nisto, quando o dono do carro apareceu, a correr, falando ao telemóvel; entrou rapidamente, bateu com a porta e ligou o motor. Mas as pessoas rodeavam-no e ele apercebeu-se de que não ia poder sumir dali facilmente. Deitou então a cabeça de fora e desabafou:

- Que diabo! Eu venho aqui todos os dias e tenho de meter o carro em algum lado!.

Nessa altura, o homem da cadeira de rodas, com um vozeirão de que ninguém o julgaria capaz, explodiu:

- E porque é que não o metes no **?!».

No dia seguinte, à hora do costume, o jovem apareceu e estacionou no sítio habitual. Mas, desta vez (lá deve ter meditado...) trazia um mini...
C. Medina Ribeiro


Crónica no Diário Económico

Passeios
31/03/09 00:01 | João Paulo Guerra 

Em Portugal, país de cerca de 10 milhões de umbigos, acaba de ser constituído um movimento cívico.
Actividade rara. O movimento destina-se a protestar contra o estacionamento abusivo que interfere com direitos da maior parte da população da cidade de Lisboa, o de circular a pé em áreas que lhe são destinadas e que foram tomadas de assalto para estacionamento de automóveis. O protesto traduz-se na afixação de um autocolante nos veículos estacionados em áreas destinadas à circulação de peões.
Um jornal que dava conta da criação do movimento dizia que a acção "não reúne consenso". Na verdade, o labroste que atropela os direitos dos outros não concorda que lhe chamem a atenção para a selvajaria, menos ainda quando a chamada de atenção se reveste de uma forma que de algum modo atinge, nem que seja com a simples cola de autocolante, a extensão do "ego" que é o "popó".
Em muito poucas cidades da Europa é possível assistir às manifestações de barbárie que podem ver-se em Lisboa, e em geral em Portugal, nesta matéria. O ‘blog' do movimento em apreço (http://passeiolivre.blogspot.com) ilustra bem que a realidade vai muito para além da imaginação mais delirante. No comum das cidades civilizadas, para que os automóveis não estacionem em cima dos direitos dos peões não é necessário qualquer dispositivo ou ameaça: basta o civismo. Mas, por cá, o civismo morreu atropelado na passadeira. De maneira que "não há consenso". E resta ver que partido tomam, quando for o caso, os que deviam assegurar o direito ao passeio livre. Aposto que vão comentar que sim senhor, que os peões têm os seus direitos, mas que há outras formas de fazer respeitar a lei. Quando sob a sua tutela o que está em vigor é a lei da selva.

Esclarecimento sobre a "falta de estacionamento"

A alegada dificuldade em encontrar um lugar para estacionar é um problema inerente à própria utilização do carro na cidade. Não é um problema do peão. Esta iniciativa de apelo ao respeito pelo espaço dos peões, apenas lamenta que este problema seja transferido para a parte mais fraca, sempre que alguém estaciona ilegalmente.
Se o problema existe realmente, se é grave, como deve ser resolvido, etc. são tudo questões interessantes, mas que não justificam o desrespeito dos peões. Tal como o problema não pode ser empurrado para terceiros, não aceitamos que o ónus da resolução dele (em bom português: "onde queres que estacione então?") recaia sobre quem não o provoca.
Obviamente que cada um terá uma opinião sobre este problema e encorajamos até que se discuta soluções nos comentários, mas não é disso que se trata esta iniciativa e quem cola o autocolante poderá ter opiniões muito diferentes sobre este assunto.

MAIS OEIRAS


Note-se que a carrinha que bloqueia o passeio da direita é da Câmara Municipal de Oeiras.

Essa rua tem dois sentidos e está a menos de 100 metros da Escola nº 1 de Oeiras.

Só eu sei porque fico em casa!

Palavras para quê?





Agradecimentos a uma leitora de Oeiras.
2 imagens valem por milhares de palavras.

protesto

Entre as dezenas de pedidos de autocolantes e mensagens de incentivo, recebemos este protesto:

Já que vocês têm uma mentalidadezinha de policiazinho de costumes, aproveito para perguntar se respeitam os sinais para os peões nas passadeiras, se atravessam os cruzamentos pelo meio, se se atravessam à frente dos carros em qualquer sítio onde vêm zebras que não existem, e se têm rabos com dois metros de largura, que não lhes permitam andar a pé a não ser em passeios muito largos...

Nas fotos publicadas no vosso blogue, tirando a do autocarro e do eléctrico, em que não é a passagem dos peões que está em causa, mas sim a do transporte público, só nas fotos das Escadinhas de São Crispim é que efectivamente se vê dificultada a passagem dos peões! Os vossos comentários às restantes fotos não são em defesa dos peões, mas apenas um exercício de má vontade e de espírito mesquinho em relação aos automobilistas, pois em quelquer uma delas, embora se vejam carros mal estacionados, também se vê à volta deles imenso espaço para passar!!!

As nossas cidades nao foram concebidas para os carros. E também não foram concebidas para os peões. Foram concebidas para ambos, numa época em que as necessidades de circulação eram totalmente diferentes. Se hoje temos alguma dificuldade com isso, não sao apenas os peões que as sentem. As outras pessoas também.

Ah, pois! Porque as pessoas como vocês querem que os automobilistas, os fumadores, as pessoas de outra raça, de outro credo, ou com outra orientação sexual deixem de ser consideradas pessoas... só os "puros" peões, católicos, ecológicos, não-fumadores etc. é que devem ter direito de cidade numa sociedade livre de carros nos passeios....

A Lei, a Lei, a Lei... também se aplica aos peões, sabiam?

rrrrrrrrrrrrrrrr


J M
Lisboeta

Resposta

Caro J M,

Muito obrigado pelo seu contributo. Entendemos perfeitamente as dificuldades dos condutores. Se você quisesse colocar 2 pianos de cauda em sua casa, também entenderíamos as suas dificuldades.

Mas o que você parece pensar ser uma fatalidade das cidades, é seguramente uma falha da sua imaginação. A ocupação abusiva dos passeios é um fenómeno resolvido em quase todas as cidades da Europa.

Colocaremos os seu contributo no blog porque um dos objectivos é começar uma conversa entre todos os nossos leitores.

Com os nossos melhores cumprimentos